De seminarista a prefeito reeleito em Pescaria Brava: a trajetória de Deyvisonn de Souza

O Portal Agora Laguna resgata a trajetória do político neste domingo, 11, quando é comemorado o Dia do Prefeito.
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Até a pandemia, todos os anos, em maio, Deyvisson da Silva de Souza acompanhava um encontro de ex-seminaristas. É uma forma de manter contato com os colegas que estudaram juntos no seminário, e de relembrar os tempos de ensinos que ajudaram a moldar a personalidade dele. O Portal Agora Laguna resgata a trajetória do político neste domingo, 11, quando é comemorado o Dia do Prefeito.

Souza nasceu em Tubarão, mas desde as primeiras horas de vida é morador do território bravense. Filho de Lázaro de Souza e de Solange de Souza, entrou para o seminário ainda jovem, com o desejo de se tornar padre, mas, devido a dificuldades financeiras enfrentadas na época, teve de deixar o sonho de lado e concluiu os estudos em escola pública em Capivari de Baixo.

“Naquele momento, quando teve campanha vocacional na escola, eu estava decidido a ser padre – até porque meu pai quase foi também; chegou a usar batina e estudou em Aparecida do Norte [SP]. Vim embora do seminário chorando. Foi uma experiência muito boa; o seminário ensina o menino, no bom sentido, a ser homem e muito do que aplico hoje em minha vida é fruto da minha passagem por lá”, recorda o político.

Por uma questão de sorte, foi fazendo uma atividade escolar que o então morador do bairro Estiva conheceu o então deputado federal Edson Bez de Oliveira, o Edinho Bez (MDB), e pediu uma oportunidade para ingressar na vida pública. Foi officeboy, motorista e começou a trilhar uma trajetória no gabinete do parlamentar em Brasília, capital federal.

“Trabalhei no gabinete um tempo e depois me elegi vereador em Laguna, primeira vez como o mais votado, e me reelegi aumentando os votos. Fiz votação em todas as urnas, só no Perrixil que não. E surpreendeu pois não era muito conhecido em Laguna, só no distrito e fiz 1.937 votos”, conta. Após a vereança, onde alcançou a presidência da Câmara, montou o gabinete do ex-deputado Ronaldo Benedet (MDB), em Brasília, e chegou a administrar o Terminal Pesqueiro em Laguna.

Pescaria Brava, porém, nunca saiu do radar de Souza. Um dos defensores da emancipação do distrito mais antigo do Sul, acalentava o sonho de ser candidato a prefeito, desejo que era compartilhado pelos dirigentes do então PMDB de Santa Catarina – entre eles, o ex-governador Luiz Henrique da Silveira, morto há cinco anos.

O distrito virou município em 2003, mas a lei de regulamentação saiu em 2008, com a previsão de que a primeira eleição ocorresse em 2012. “Aquela eleição que a gente perdeu foi um ensinamento”, avalia. Quatro depois, a nova tentativa e a repercussão nacional: a diferença de votos entre ele e o ex-prefeito Antônio Honorato (PSDB) foi de apenas um voto. Se deu uma polêmica em volta disso tudo, afinal havia acusação de que teria sido registrada a votação de um eleitor já falecido. A Justiça, posteriormente, anulou a votação da polêmica urna, mas o resultado se manteve favorável ao emedebista. “Isso acabou dando uma mídia muito positiva”, diz.

Souza recorda que pegou a prefeitura com baixa arrecadação e teve a missão de dobrar essa obtenção de recursos por meio de tributos municipais. “Sem fazer isso, poderia ter entregue para Laguna; agora, praticamente dobramos a arrecadação, e isso permitiu entrar uma saúde boa, fazer obras importantes para a população”, comenta. Para ele, o maior desafio foi a Câmara de Vereadores, tanto que, em sua nova posse, pediu que a nova legislatura permita que ele trabalhe.

Enfrentando à pandemia e concorrendo à reeleição, o emedebista foi credenciado pelo município para comandar os destinos da cidade por mais quatro anos, tendo como vice Lourival Izidoro (PP), com quem demonstrou ter uma boa relação. A continuidade do mandato foi garantida com 73% dos votos, o maior índice válido na Amurel.

“Provamos que vale a pena ser sério, que vale a pena acordar cedo. Trouxemos o desenvolvimento que tanto sonhamos quando emancipamos este lugar”, avalia o prefeito.

O ano de Souza iniciou com o enfrentamento da pandemia e também um novo desafio: ser presidente da Associação dos Municípios da Região da Amurel (Amurel), gerindo o colegiado de 18 cidades com mandato de um ano. No município, com uma equipe mantida do primeiro mandato – com exceção das mudanças na Saúde e na Educação, o emedebista mantém o tom de desenvolver a cidade através de obras e atração empresarial. As metas principais são concluir as pavimentações iniciadas e entregar o loteamento industrial, às margens da BR-101, com mais de cem hectares.

Deyvisonn da Silva de Souza é o primeiro prefeito da história do MDB em Pescaria Brava, sendo o segundo a ser eleito desde a emancipação em 2012. Souza é casado e pai de três filhos.

Cem dias

Também neste dia 11, são completados os cem dias dos novos mandatos dos prefeitos, ou, no caso do emedebista, da continuação do governo. “O ritmo segue o mesmo [de quando iniciamos]”, frisa. Ao Portal Agora Laguna, Souza adianta que deve receber na próxima semana mais um projeto de pavimentação, oito quilômetros de estrada entre Barreiros e Siqueiro. Atualmente, já está em curso a licitação do asfaltamento da rodovia entre Km-37 e Laranjeiras, com recursos do Ministério do Turismo.

A prefeitura também trabalha na conclusão da pavimentação de vias na Pontinha de Laranjeiras, com possibilidade de ampliar esse trecho, e Rocinha e Sertão da Maricota. “Aproveitamos também para revisar e melhorar o movimento econômico quanto à arrecadação do ICMS para evitar que empresas da cidade contribuam para outros município”, comenta o prefeito.

Dia do Prefeito

Onze de abril rememora a data que criou o primeiro cargo de prefeito da história, em São Paulo, no ano de 1895. Há uma outra data, 6 de outubro, mas a ideia é que, se aprovado um projeto no Congresso Nacional, as celebrações em volta do cargo mais alto da política municipal sejam fixadas em abril.

Cabe ao prefeito a responsabilidade básica de administrar o município e executar as leis que são aprovadas pela Câmara de Vereadores. O chefe do Executivo tem em mãos a atribuição de investir na cidade e formular as políticas públicas que atendam a população em áreas como assistência social, saúde, educação, segurança e infraestrutura.

Na definição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estas são as missões do prefeito:

  • Desenvolver as funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes;
  • Organizar os serviços públicos de interesse local;
  • Proteger o patrimônio histórico-cultural do município;
  • Garantir o transporte público e a organização do trânsito;
  • Atender à comunidade, ouvindo suas reivindicações e anseios;
  • Pavimentar ruas, preservar e construir espaços públicos, como praças e parques;
  • Promover o desenvolvimento urbano e o ordenamento territorial;
  • Buscar convênios, benefícios e auxílios para o município que representa;
  • Apresentar projetos de lei à Câmara Municipal, além de sancionar ou vetar projetos de lei;
  • Intermediar politicamente com outras esferas do poder, sempre com o intuito de beneficiar a população local;
  • Zelar pelo meio ambiente, pela limpeza da cidade e pelo saneamento básico;
  • Implementar e manter, em boas condições de funcionamento, postos de saúde, escolas e creches municipais, além de assumir o transporte escolar das crianças;
  • Arrecadar, administrar e aplicar os impostos municipais da melhor forma;
  • Planejar, comandar, coordenar e controlar, entre outras atividades relacionadas ao cargo.