Foto: Elvis Palma/Agora Laguna

O novo titular da pasta de Obras e Transportes de Laguna deve ser anunciado na próxima semana, segundo informou o prefeito Mauro Candemil (MDB) ao Portal Agora Laguna. O antigo gestor, Renato de Oliveira, foi exonerado na sexta-feira, 25, um dia após a Operação Seival II. A portaria deve ser publicada na próxima edição do Diário Oficial dos Município.

“Procedemos com a exoneração para deixá-lo à vontade não comprometido com a função que exerce, afim de responder adequadamente. Como a gente não tem uma posição de quando ele será liberado porque foi denunciado e para não ter que aguardar, fizemos a exoneração”, justificou Candemil. Oliveira foi detido preventivamente e está na sede da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Florianópolis.

Foto: Elvis Palma/Agora Laguna

A fala do prefeito também foi reforçada em uma entrevista concedida à rádio comunitária Hits FM, neste sábado. Tanto para o Portal, quanto para a emissora, o chefe do Executivo não adiantou o nome do futuro gestor. “Temos três dias para escolher um bom nome que possa substituí-lo à altura”, esquivou.

Com a exoneração do ex-gestor, a pasta de Obras e Transportes terá a terceira mudança no governo Candemil. A secretaria, que até meados de 2017 também respondia pelo setor da Pesca e Desenvolvimento Rural (hoje inclusos na pasta de Pesca e Agricultura), já foi comandada por Jonatan Nascimento (janeiro de 2017 a março de 2018) e José Paulo Rebelo (março a maio de 2018).

Ainda na entrevista ao Portal, Candemil ressaltou que o nome do vereador Thiago Duarte, continua compondo sua chapa como vice-prefeito na eleição de novembro. “Estamos aguardando o desfecho”, resumiu.

“Fomos surpreendidos, e nesses próximos dias deverá ter um desfecho com relação a liberação. Se por acaso demorar, vamos submeter  à apreciação dele, como também da executiva do partido, a proposta de encontrar um novo nome”. A candidatura da dupla foi registrada na Justiça Eleitoral na quarta-feira, 23.

Operação prendeu quatro agentes públicos

A reportagem apurou que os quatro mandados preventivos de prisão foram expedidos contra os vereadores do MDB, Cleosmar Fernandes (presidente da Câmara), Thiago Duarte e Valdomiro Barbosa – único afastado do exercício do mandato de vereador. O quarto agente público detido é o secretário municipal de Obras e Transportes, Renato de Oliveira.

Dos quatro detidos, apenas Oliveira não é candidato na eleição de novembro. Fernandes, Barbosa e Duarte tiveram seus nomes confirmados na convenção para concorrerem como vereador e vice-prefeito, respectivamente.

Ao menos cinco vereadores de Laguna tiveram seus celulares apreendidos. Por ordem da Justiça, todos os treze parlamentares da cidade não podem mais entrar na Câmara para evitar possíveis interferências na investigação.

Policiais também cumpriram mandados em endereços ligados a vereadores e ao prefeito Mauro Candemil (MDB), que emitiu nota dizendo que não foi “formalmente acusado e indiciado” e que irá nomear novos gestores para as secretarias envolvidas na operação.

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A Seival II apura vários crimes como fraude a licitação, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato, envolvendo empresários, servidores públicos e agentes políticos dos Poderes Executivo e Legislativo municipais.

As investigações também apuram a participação de novos integrantes do grupo que possuem estreita ligação com as pessoas inicialmente investigadas pela polícia e denunciadas pelo MP. A operação tenta identificar a notícia da existência de uma espécie de loteamento das secretarias municipais por meio de indicações políticas e recebimento de propina correspondente a parte dos valores das obras e serviços licitados nessas pastas.

Os policiais analisam os vários contratos firmados pela prefeitura de Laguna com empresários que há anos prestam serviço na cidade, com indicativos de superfaturamento e inexecução das obras e serviços licitados, bem como fraudes a licitação no Instituto de Previdência (Iprev) do estado em 2016. A entidade emitiu nota dizendo que a operação se refere a uma licitação para uma obra de reforma em um prédio seu e que a força-tarefa não atrapalha a atividade-fim, que é a concessão de benefícios.

Foto: PC / Divulgação