O Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Laguna não participará das eleições de novembro, fato inédito em quase 40 anos de presença nas disputas partidárias da cidade juliana. O presidente do partido e então pré-candidato a prefeito, Roger Costa da Silva, anunciou que abre mão de disputar o pleito.

A legenda iria concorrer apenas ao Executivo, apresentando chapa pura com Edevaldo Bertotti de vice, sem indicar candidatos para vereador. O anúncio acontece após avaliações internas sobre o cenário eleitoral. “Preciso trabalhar mais meu nome, reconhecer quais foram as falhas de 2017 até agora em 2020, onde a gente errou e de que forma vou corrigir esses erros”, justifica Costa sobre a decisão, ao Portal Agora LagunaAssista declaração acima.

Segundo o presidente, os pedetistas ficarão livres para apoiar os candidatos do campo progressistas que entenderem ser a melhor opção. “Acho que é importante se posicionar [sobre isso]”, define. Além do PDT, outro partido que já anunciou que estará ausente do pleito em novembro é o Progressistas, que também tem mais de quatro décadas de participação política na cidade.

PDT disputa eleições desde 1982 em Laguna

Criado em torno da figura do ex-governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, Leonel Brizola, o PDT é um dos partidos mais antigos da política de Laguna, estando presente nas eleições municipais desde 1982 – a primeira após a redemocratização e reinstituição do pluripartidarismo. Na primeira participação eleitoral, a legenda não lançou candidatura majoritária, mas apresentou quatro nomes para vereador (Manoel Venâncio, Miguel Gonzaga, Roque Rainincheski e Targino Souza), que somaram 41 votos totais.

Seis anos depois, em 1988, na eleição seguinte, o PDT elegeu seus dois primeiros vereadores: Valdir Saul de Andrade e Jayson Prates da Silva. Foram lançados 37 candidatos ao Legislativo pelo partido naquele ano, obtendo 4195 votos totais (incluindo legenda) naquele pleito.

Dez anos depois de sua estreia, a sigla lançou seu primeiro candidato à prefeito. Zeno Alano Vieira (vindo do então PMDB) compôs chapa com Nauro Pinho (PT) e obteve 5.589 votos, sem ser eleito. O PDT elegeu dois vereadores na eleição e somou total de 4.595 votos.

Em 1996, o partido apostou fichas no empresário Antônio Chede em coligação com o PL, que estreou naquele ano na cidade, mas não obteve sucesso, tendo apenas 739 votos. Dois vereadores foram eleitos no pleito. O total de votos legislativos ficou em 3605.

Quatro anos depois, a sigla chegou à cadeira de prefeito com a eleição de Adílcio Cadorin, em chapa com o PPS (atual Cidadania), obtendo 9.220 votos. Já para a Câmara, o partido elegeu dois vereadores. A soma total de votos para vereador foi de 3.443.

Na eleição de 2004 o PDT apoiou a tentativa de reeleição de Cadorin (que migrou para o PFL, hoje DEM), em coligação com PL e PMDB também, que somou 14.193 votos. Nenhum vereador foi eleito pelo partido, que obteve votação total de 323.

Quatro anos depois, o partido lançou Júlio Willemann (vindo do PT) para prefeito, coligado com o DEM, que havia sido renomeado um ano antes. A chapa obteve 4.075 votos. Para o Legislativo, nenhum vereador foi eleito e a soma final foi de 847 votos.

A aliança PDT-DEM foi repetida em 2012, com a tentativa do ex-vereador Antônio Laureano (hoje no MDB) de chegar à prefeitura. O partido ofereceu candidato à vice na chapa, que teve os votos anulados por decisão judicial. A sigla não conseguiu eleger candidatos ao Legislativo, mas obteve 116 votos totais.

Quatro anos atrás, o partido esteve coligado com o PT e PR (hoje, PL), indicando o agora ex-pré-candidato Roger Costa como vice na chapa da petista Tanara Cidade. A aliança terminou em terceiro lugar no resultado final com 7.034 votos. Para o Legislativo, nenhum candidato foi eleito. A soma final foi de 779 votos para Câmara.