Foto: Câmara Laguna, com montagem: Editoria de Arte/Agora Laguna

O pleito municipal de novembro será a primeira eleição que o Progressistas não irá participar ativamente, como vinha fazendo desde sua criação há 40 anos. A informação foi confirmada à reportagem do Portal Agora Laguna pelo vereador Roberto Alves, que permaneceu no partido durante a janela de troca partidária e que segue como figura pública da legenda.

Esvaziado e com a bancada diluída, o partido abriu mão do protagonismo que teve no passado, para aguardar os acontecimentos políticos. “O PP não vai estar em nenhum palanque político nesta eleição, por opção”, disse Alves, por telefone, sem gravar entrevista.

O Progressistas também não vai apoiar informalmente alguma chapa concorrente ao pleito, deixando os filiados livres para escolherem o melhor lado em novembro. A decisão é um reflexo do encolhimento enfrentado pelo partido, que ainda soma 628 filiados.

Quatro anos atrás, o Progressistas aproveitou a janela partidária e fez a bancada que era de três vereadores crescer para cinco, número que manteve no pleito eleitoral. Em 2020, o cenário se reverteu e o partido perdeu quatro vereadores: Peterson Crippa (migrou para DEM), Kleber Roberto Lopes (PSL), Rogério Medeiros (PSDB) e Patrick Mattos (MDB).

PP comandou prefeitura por quatro gestões entre 1980 e 2000

O partido é um dos mais tradicionais da política de Laguna. Gerado a partir do espólio da Aliança Renovadora Nacional (Arena) em 1980, quando iniciou o processo de redemocratização, com permissão de criação de novas legendas, o Progressistas (inicialmente chamado de PDS), começou sua trajetória na cidade juliana tendo um prefeito: Mário José Remor, que havia assumido o cargo em 1976 e teve mandato estendido até 1982.

A gestão de Remor, ainda hoje muito elogiada, fez o partido eleger João Gualberto Pereira, o Joãozinho, em 1982, primeira eleição pós-democratização. Naquele pleito, existia a sublegenda e a sigla podia colocar até três candidatos para prefeito e optou por lançar uma segunda candidatura de Nelson Abraham Netto. Pereira e Netto, juntos, tiveram 14.048 votos. Dez dos 13 vereadores eleitos eram do partido – a soma final para candidatos ao Legislativo representou um estoque de 13.462 votos.

Seis anos depois, em 1988, apostou em Remor como candidato a prefeito em chapa pura, mas não obteve êxito, recebendo 8.866 votos. A bancada do partido ficou composta por seis vereadores. A soma final para o Legislativo rendeu 8.221 votos (incluindo legenda).

O retorno do partido na prefeitura ocorreu em 1992 com a eleição de Jorge Zanini, em coligação com o PFL e o PTB, obtendo 11.787 votos. Zanini viria a ser cassado depois de assumir o mandato e o período foi completado pelo vice Nazil Bento Junior (então no PFL). Três vereadores foram eleitos naquele pleito e o estoque final de votos legislativos ficou em 5.280.

Em 1996, já com o nome de PPB, faria Joãozinho prefeito novamente, com 12 mil votos, em coligação com o PSDB. O partido fez quatro vereadores naquele ano e alcançou a soma de 5.560 votos para o Legislativo. Coligado com PTB, PSDB e PFL, quatro anos depois a legenda tentou reeleger Pereira, mas não obteve sucesso – teve 9.049 votos apenas. Já para a Câmara, manteve o mesmo número de edis e somou 6.322 votos.

Já no ano de 2004, agora denominado PP, o partido não apresentou nomes à majoritária, mas apoiou a coligação que elegeu Célio Antônio (PT) para a prefeitura, que arrematou 14.761 votos. Foi o primeiro ano em que a bancada progressista teve a menor formação, com apenas um nome eleito: Luiz Fernando Schiefler Lopes. Foram 1.662 votos para o Legislativo.

Quatro anos depois, o PP continuou na coligação de Antônio, que foi reeleito, mas desta vez o partido indicou Lopes como vice. A dupla conquistou 14.837 votos. Apenas um vereador foi eleito: Eduardo Carneiro. Ao todo, para o Legislativo, os progressistas conquistaram 2.277 votos.

Em 2012, o PP voltou a focar apenas no Legislativo, apoiando a coligação que elegeu Everaldo dos Santos (então no PMDB) para a prefeitura, com 16.669 votos. Na Câmara, a bancada do partido ficou formada por três vereadores, com a soma total de 5.544 votos.

Após oito anos sem lançar candidaturas próprias, o partido encabeçou chapa em 2016 apostando em Samir Ahmad com Nazil Bento Junior, de vice. A dupla conquistou 7.674 votos. Já no Legislativo teve crescimento considerável voltando a ser a maior bancada com cinco edis eleitos. A soma final foi de 9.502 votos para candidatos a vereador.

Histórico de vereadores eleitos pelo partido*

  • 1982 (PDS): Heriberto Barzan, Elpídio de Souza Bittencourt, Antônio Pedro dos Santos, João Batista Wendhausen Moraes, Leandro Crippa, Onésio Antônio Martins, Nazil Bento Junior, Osvaldo Manoel Viana, Leonel Domingos Patrício e Plínio Martins Nobre.
  • 1988 (PDS): João Carlos Silveira, Acácio Mendes, Heriberto Barzan, Nelson Gomes Mattos, Leoberto Bittencourt e Neire Brum Stüpp.
  • 1992 (PDS): João Gualberto Pereira, Nelson Gomes Mattos e Osvaldo Manoel Viana.
  • 1996 (PPB): Jaime Becker, Aderbal Moreira Cardoso, José Carlos Mendes Netto e Rogério de Souza Higino.
  • 2000 (PPB): José Goulart, Luiz Fernando Schiefler Lopes, José Carlos Mendes Netto e Jaime Becker.
  • 2004 (PP): Luiz Fernando Schiefler Lopes.
  • 2008 (PP): Eduardo Nacif Carneiro.
  • 2012 (PP): Eduardo Nacif Carneiro, Kleber Roberto Lopes da Rosa e Roberto Alves.
  • 2016 (PP): Kleber Roberto Lopes da Rosa, Roberto Alves, Patrick Mattos e Peterson Crippa.

*A relação não considera eventuais trocas de partidos ou cassações de mandato.