Livraria organiza festa literária em homenagem à professora Júlia Nascimento

Arquivo pessoal/Família Júlia Nascimento
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Mulher negra e professora, Júlia Chrispina do Nascimento é um dos símbolos da resistência feminina e da busca pela representativa em uma época quando o Brasil ainda respirava as primeiras décadas pós-abolição da escravatura.

Lagunense nascida em 1884, sua dedicação em prol da educação de meninos e meninas será reconhecida em uma festa literária que levará seu nome. “É uma honra, nos deixa muito lisonjeados. Nossa avó foi uma grande mulher”, reconhece a neta – e também professora – Claudete Nascimento.

A festa é organizada pela Livraria Coruja Buraqueira e tem realização prevista para a primeira semana de julho, prevendo também menções ao bicentenário de Anita Garibaldi. A programação está sujeita à alterações e à situação da pandemia do novo coronavírus.

“A ideia da festa literária, surgiu no início do ano passado, quando o idealizador Arnaldo Russo, começou os preparativos para o evento, porém, com a pandemia ele se viu obrigado a não dar continuidade ao evento. Já nesse ano então, com a ajuda de outras pessoas também nessa movida, ele deu início à organização de fato”, conta o escritor Guilherme Preuss, um dos organizadores.

A previsão é que o encontro ocorra entre 7 e 10 de julho. “A festa literária homenageia a professora Julia Nascimento, grande mulher, negra, que foi responsável pelo letramento de muitas pessoas aqui em Laguna. O tema da festa é ‘O que Anita faria hoje?’ e vem de encontro com o bicentenário, onde terá também um slam de poesia sobre o assunto”.

De acordo com Preuss, o evento já conta com a confirmação de várias editoras independentes do Brasil, escritores brasileiros e há conversa com autores de países vizinhos.

Júlia Nascimento

A educadora nasceu em Laguna em 16 de fevereiro de 1884, filha de Chrispina Luiza da Conceição. Não há muitos detalhes sobre sua infância e juventude, é de conhecimento apenas que ela se alfabetizou com a professora Honorata Freitas, em lições particulares.

Aos 20 anos, se casou com o carpinteiro Pedro Jeronymo do Nascimento, lagunense, hábil na construção de embarcações. Organizou sua própria escola em 1903, em sua residência, atendendo tanto meninos, quanto meninas – o que se denominava na época como educação mista. O colégio era particular e chegou a ter entre seus alunos, por exemplo, Colombo Salles, ex-governador de Santa Catarina (Arena, 1971-1975).

O educandário, localizado no Morro da Glória, chegou a ser fechado em 1939, seguindo as normas educacionais legais da época. Mas diante da pressão, acabou reaberto e logo depois foi assumido pela professora Arminda do Nascimento, a dona Mimi, filha de Júlia Nascimento.

Em 1958, virou integrante da rede estadual como Escola Isolada Morro da Carioca, mas não resistiu ao tempo. Desapareceu em 1969, com a aposentadoria de Dona Mimi. Anos antes, em 1947, a professora Júlia Nascimento falecera. É hoje nome de uma rua que liga o Morro da Glória à Fonte da Carioca.

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