Foto: André Luiz / Agora Laguna

Iniciada em maio de 2018, a obra de construção do novo Centro de Referência em Assistência Social (Creas), do bairro Progresso, agora tem um novo capítulo. A construtora contratada pelo governo do Estado para erguer a edificação, rescindiu o contrato e com isso o processo retorna à estaca zero, apesar de faltar pouco para entrega do prédio.

Prejudicada desde o começo dos trabalhos por constantes furtos de equipamentos, fiação e até de peças como esquadrias e vaso sanitário, a obra vai aguardar a conclusão de um processo administrativo que vai analisar a rescisão. Uma das possibilidades é que seja lançada uma licitação para a conclusão do serviço.

“Em relação ao governo, é uma questão jurídica, o que sempre leva tempo”, resume a assessoria da Secretaria de Desenvolvimento Social. O Portal Agora Laguna entrou em contato com um representante da Nova Era, construtora responsável, mas nesse primeiro momento a empresa não se manifestará. Até o momento, o Estado já desembolsou R$ 413.993,70 – valor com os aditivos somados ao orçamento inicial de R$ 357.090,77.

Em contato com a reportagem, a Secretaria de Estado da Infraestrutura (SIE), afirma que “o percentual de execução da obra é de 92,51%. A empresa entregou a chave do Creas no dia 1º de julho de 2020, e pela situação da região por conta do ciclone bomba, onde os esforços da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade estão concentrados no levantamento das escolas atingidas, não foi possível realizar a vistoria no Creas. Tão logo seja possível, a vistoria será feita e o laudo encaminhado para a SDS”.

Após a conclusão da construção, a prefeitura de Laguna será a gestora do espaço. O município é parceiro na obra e cedeu o terreno, desmembrado de uma parte da área do extinto Centro Social Urbano, demolido em janeiro deste ano. Quem passa pelo entorno do terreno, vê que o prédio novo contrasta com uma realidade de abandono, marcado pelo depósito inconsequente e constante de lixo e restos de entulho.

Segundo a Secretaria de Assistência Social do município, Patrícia Paulino, a prefeitura também ficou surpresa com a rescisão. “Estamos aguardando a entrega da obra, que estava prevista para 12 de junho. Inclusive mandamos fazer grades para as janelas, que estão prontas, porém não podemos colocá-las até que o Estado nos entregue a obra. Estou aguardando posicionamento do governo”, disse a secretária.

Foto: André Luiz / Agora Laguna

Histórico de furtos é marca negativa na obra

A área de construção ocupa 631 metros quadrados e desde o início foi alvo da criminalidade. A obra era para ter iniciado em abril de 2018, mas começou em maio, já que o canteiro teve a fiação elétrica furtada. O sumiço dos cabos de eletricidade não foram os únicos a serem registrados na edificação em obras.

Até junho deste ano, a coletânea de objetos furtados era considerável: portas de madeira, tanque de lavar roupa, fios de energia, barra de cobre do ar-condicionado e os próprios equipamentos de refrigeração, fechadura de porta, vasos sanitários. No ano passado, os funcionários da construtora não ficaram imunes e tiveram ferramentas levadas em um caso de furto.

Os crimes foram apontados como os motivos para o atraso na entrega das obras. No final de maio, a conclusão deveria ter ocorrido no dia 29, depois passou para 12 de junho. A data mais recente informada foi 26 de maio, o que não aconteceu.

Creas auxilia na rede de assistência social do município

A conselheira tutelar Cláudia Lopes, explica que o Creas é uma ferramenta fundamental para a assistência social do município. “Faz parte da rede do município e é muito importante devido a todos os profissionais que lá atuam, assistentes sociais, psicopedagoga e psicólogas, que atendem famílias encaminhadas para acompanhamento com situações de risco”, comenta.

São atendidas no Creas, pessoas que passaram por algum tipo de situação de ameaça ou violação de direitos como violência física, psicológica, sexual, tráfico de pessoas, cumprimento de medidas socioeducativas.

“Além disso, também faz o acompanhamento de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa e atende a população em situação de rua, com fornecimento de alimentação, kits de higiene, cobertor, agasalhos, requisição de segunda via de documentação, dentre outros serviços”, acrescenta a advogada Pollyana Alvim, coordenadora dos centros de assistência social de Laguna.

Atualmente, a equipe técnica conta com duas psicólogas, três assistentes sociais e três educadoras sociais, profissionais capacitados para atender as famílias em situação de violência.