Foto: Guilherme Cardoso Mendes

Apagados há mais de um ano, os estais da Ponte Anita Garibaldi voltaram a chamar a atenção nesse início de semana. As luzes cênicas foram acesas novamente após troca de cabos e equipamentos danificados. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em Santa Catarina, os objetos tinham sido inutilizados por ação de roedores, problema que acontece desde a inauguração da ponte em julho de 2015.

Os técnicos do órgão ainda estão fazendo o trabalho de conserto dos equipamentos. Desde domingo, 21, apenas um lado dos estais está iluminado e o outro, parcialmente. “Essa reposição de dispositivos não tem a ver com a conta da iluminação permanente. Ainda faltam alguns componentes danificados, mas o objetivo é restabelecer a iluminação cênica”, explica o DNIT.

São duas torres iluminadas por 64 lâmpadas de LED, geridas por uma central eletrônica instalada na estrutura. A ponte tem ao todo 182 postes de iluminação, com 64 pontos de luz nos estais. Toda a iluminação é feita com luzes LED, com 275 watts de potência cada. As luminárias das torres foram afixadas nos 56 cabos de sustentação no centro da estrutura e oito pontos instalados nos cabos laterais.

Quem paga a conta

A iluminação cênica reacende outra polêmica: a de quem deve pegar a conta pela energia da ponte. Em dezembro de 2019, o Portal Agora Laguna mostrou que a questão estava em discussão na justiça. O DNIT jogava para a prefeitura de Laguna a responsabilidade e a administração devolvia dizendo que não tinha como arcar com os valores e que a estrutura pertencia à União.

No meio do debate, a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) tenta há quase cinco anos receber pelo fornecimento. A empresa foi obrigada por meio de liminar obtida pelo Ministério Público a manter a estrutura iluminada para evitar ocorrência de acidentes.

Em nota, a empresa lembrou que a prefeitura já foi obrigada judicialmente a pagar pela energia. “Existem duas ações judiciais em curso discutindo a responsabilidade pelo pagamento da energia elétrica, sendo que uma está em 3º grau de recurso (STJ) e a outra em 2º grau de recurso (TRF-4)”. O município recorre dessas decisões.

Sem ter sido paga desde 2015, o valor da conta já ultrapassa R$ 450 mil. O montante foi o último a ser divulgado, e se referia aos primeiros meses do ano passado. Em setembro de 2019, de acordo com o Portal 4Oito, o valor mensal de manutenção da energia era de R$ 6.902. A Celesc não comenta mais os valores atrasados, nem os da fatura atual da ponte, já que o processo ainda corre na Justiça.

As discussões sobre a responsabilidade pelo pagamento foram suspensas em virtude do leilão concessão da BR-101. De acordo com a prefeitura, o entendimento desde novembro é de que a conta deverá ser cobrada do Grupo CCR, que assume a rodovia em julho.