A repercussão da postagem feita pela ex-secretária de Assistência Social e Habitação, Tanara Cidade de Souza foi o motivo principal que levou à sua exoneração da pasta na última semana. A confirmação foi dada pelo prefeito Mauro Candemil (MDB) ao Portal Agora Laguna (ouça entrevista no fim do texto).

O chefe do Executivo creditou a decisão de exonerar a gestora à pedidos feitos pelo diretório municipal e vereadores do MDB. “O município depende muito do governo federal e do governo do Estado, mesmo não sendo do meu partido, têm sido condencedente com [as pautas de] Laguna”, justifica. “Foi um ataque às cores do Brasil e de Laguna e isso pesou muito, embora isso é um posição pessoal que a gente respeito. Ela é uma excelente profissional, que contribuiu bastante nesses cinco meses que esteve à frente da Assistência Social”.

A pasta de Assistência Social e Habitação será comandada de maneira interina pelo presidente da Fundação Irmã Vera, Valmor Packer, como antecipou em primeira mão o Portal. De acordo com Candemil, a situação do número de secretarias – que ele considera enxuto – está em discussão diante da grave crise financeira que se abate sobre a prefeitura de Laguna e que vem provocando exoneração de servidores comissionados.

“Recebemos um sinal de alerta do tribunal de contas não em função do montante da folha de pagamento […] A receita que era para estar em um acumulado de 100% está em 68% e estamos na metade de setembro e temos que tomar providências”, explica o prefeito. Outros cortes na prefeitura devem acontecer durante a semana.

Rompimento de aliança com o PT

Em nota distribuída à imprensa por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, o ex-prefeito Célio Antônio (PT, 2005-2012), expôs que a saída de Tanara Cidade representava o fim da participação petista no governo Candemil. Segundo Antônio, os membros do partido têm liberdade para expressar suas opiniões sobre o governo federal ou estadual independente da posição que estejam ocupando.

Questionado pela reportagem do Portal, o presidente municipal do PT, Nivaldo Rodrigues, se mostrou cauteloso, pontuando que a decisão de desembarcar do governo municipal está em discussão pelo diretório do partido. A cúpula petista deve se reunir nesta semana, após ter remarcado o encontro, para debater o assunto de maneira definitiva e também a nota divulgada pelo ex-prefeito.

A exoneração de Tanara põe em cheque a possibilidade de coligação inédita entre o MDB e o PT nas eleições municipais – desde 1992, os dois partidos caminham em lados opostos nos pleitos locais. Sobre a coalizão, Candemil minimizou o fato dizendo que ainda é cedo para discutir alianças para a eleição de 2020.

Entenda a polêmica

No último domingo, 8, quando completou cinco meses exatos de sua gestão à frente da pasta, a ex-secretária postou em seu perfil pessoal que estava com “ranço” de pessoas que vestiam verde e amarelo. A publicação aconteceu um dia após o feriado de 7 de setembro, quando se comemorou mais um aniversário da proclamação da Independência e dias depois de o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) incentivar a população à usar as cores da bandeira nacional (coincidentemente, as mesmas de Laguna) como forma de demonstrar o amor à pátria.

Em entrevista no dia da publicação, em meio à repercussão causada, com a maior parte dos comentários criticando o teor do texto, Tanara apontou ter havido falta de interpretação da mensagem. “Não sei de que forma que as pessoas estão vendo. Não estou me referindo a todas as pessoas e nem à uma relação direta com símbolos. Eu falo de pessoas mal-intencionadas, hipócritas, que se utilizam do verde e amarelo para plantar uma imagem que é falsa. A ideia do meu comentário é fazer as pessoas refletiram que nem tudo aquilo que se apresenta é”, disse na ocasião.

Na mesma oportunidade, ao Portal Agora Laguna, ela havia afirmado que estava tranquila e não temia sua exoneração por parte do prefeito, à quem teceu vários elogios.

Reprodução de Redes Sociais

Ouça a entrevista