Anita Garibaldi, 200: mulher, mãe, guerreira

Ilustração digital: Marco Antônio Arruda e Giuliana Cadorin/CulturAnita
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“Com um filho no braço e no outro um fuzil”. A letra de Marlene Pastro musicalizou uma cena, igualmente eternizada em um monumento na Colina do Gíanicolo, em Roma (Itália), que é o retrato fiel do que era Anita Garibaldi. Nesta segunda-feira, 30, é comemorado o bicentenário de nascimento da lagunense, conhecida como Heroína dos Dois Mundos, graças ao histórico de batalhas que participou no Brasil e sobretudo na Itália, onde é considerada como Mãe da Pátria Italiana.

Nascida como Ana Maria de Jesus Ribeiro, em 30 de agosto de 1821, a jovem desde cedo se mostrava contrária às práticas da vida social da época. Banhava-se ao mar, quando era proibido pelas convenções. Andava a cavalo na posição de forquilha. E não se deixava entregar às tentativas de cortejo pelos homens da pacata vila de Santo Antônio dos Anjos. Após a perda do pai, casou aos 14 anos, por imposição materna. O marido, sapateiro Manoel Duarte, a abandonou anos depois. O casamento nunca foi consumado, não tiveram filhos e viviam sem qualquer contato, conforme suas cartas preservadas no Museu do Ressurgimento, na Itália, apontam.

A tomada de Laguna pelas forças imperiais em 1839, em meio à Revolução Farroupilha, reacendeu a chama da esperança pela liberdade republicana, ideais que a filha de Bento Ribeiro da Silva apreendeu ainda cedo com seu tio Antônio. Ver a batalha que culminou na proclamação da República Catarinense, em 29 de julho daquele mesmo ano, a encheu de esperança: era a personificação de tudo aquilo que acreditava.

A jovem trocou o nome Ana por Anita e o sobrenome Ribeiro por Garibaldi. Mulher do século XIX, ela viveu na prática coisas que legalmente as mulheres brasileiras só tiveram direito séculos mais tarde, como o divórcio. Lembrada como guerreira, ela é hoje um dos ícones de empoderamento e força feminina.

Ao lado do marido Giuseppe Garibaldi, Anita lutou na Revolução Farroupilha e pela Unificação da Itália. Não foi apenas esposa de um guerrilheiro, mas uma combatente.

Para o escritor Adílcio Cadorin, autor de Anita: a guerreira das repúblicas e da liberdade (CulturAnita, 2020), Anita deve ser considerada como mulher precursora do movimento republicano. “É um dos mais importantes vultos femininos da história. Lutou e pegou em quatro armas por quatro repúblicas: a Catarinense, a Farroupilha, a Uruguaia e a Italiana”, comenta. A obra de Cadorin, reeditada ano passado, recuperou de forma digital a fisionomia da heroína, a partir de relatos resgatados na Itália.

Seu bicentenário é comemorado nesta segunda-feira, 30, como resultado de uma união internacional de cidades do Brasil, Itália, Uruguai e San Marino. A iniciativa foi denominada de Dois mundos e uma rosa para Anita.

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