Datas que destacam lutas das mulheres negras inspiram live-debate em Laguna

"O mês de julho é marcado nacionalmente por uma série de eventos que evidenciam a luta das mulheres negras por direitos, dignidade e reconhecimento", aponta a coordenadora da FAR, Juliana Regazoli.
Foto ilustrativa: Freepik

No próximo domingo, 25, será lembrado o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e também o 120º aniversário de nascimento da professora Antonieta de Barros, catarinense conhecida por ter sido a primeira deputada negra eleita na história. Por ocasião da data, a Frente Antirracista de Laguna (FAR) anunciou a realização de uma live para debater sobre as vivências de mulheres negras no Sul de Santa Catarina.

“O mês de julho é marcado nacionalmente por uma série de eventos que evidenciam a luta das mulheres negras por direitos, dignidade e reconhecimento”, aponta a coordenadora da FAR, Juliana Regazoli. Além das duas datas, também há o Dia Nacional de Tereza de Benguela, importante liderança quilombola do século 18 e que será igualmente lembrada no evento virtual.

live vai acontecer às 18h e poderá ser acompanhada no Instagram da FAR Laguna (@farlaguna). “Serão abordados aspectos das vivências e (re)existências de mulheres negras no Sul de Santa Catarina, trazendo visibilidade para algumas questões muitas vezes silenciadas, mas que são reveladoras de outras perspectivas sobre as relações sociais, raciais e de gênero nesta região, considerando os reflexos da escravidão no Brasil e as tentativas de superação de suas marcas históricas”, antecipa. Além de Juliana, participam as pedagogas Ariane Domingues e Claudete Nacimento e a comunicadora Hagnes Corrêa.

Também no mesmo dia, mas mais cedo, às 16h, será transmitida a live Mulheres negras em Santa Catarina: quem somos?, organizada pelo grupo Mariama, de Itajaí, no Vale do Itajaí. A transmissão é via Facebook, através deste link, e que contará com participação da FAR.

Saiba mais

Antonieta de Barros – Catarinense, Antonieta de Barros nasceu em 1901 e foi a primeira mulher a integrar a Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Educadora e jornalista atuante, rompeu barreiras para conquistar espaços que, em seu tempo, eram inusitados para as mulheres, ainda mais para uma negra. É considerada a primeira mulher negra a trabalhar na imprensa catarinense. Recentemente, foi homenageada com um mural artístico no Centro de Florianópolis, capital.

Entre seus feitos, está a autoria da lei estadual 145/1948, que criou em Santa Catarina o Dia do Professor e o feriado escolar de 15 de outubro. Foi a primeira manifestação oficial de um parlamento entorno dessa data. Em 1963, o ex-presidente João Goulart (PTB, 1961-1964) assinou a oficialização dessa mesma data em todo país, como forma de homenagear os educadores. A dia se refere à primeira grande lei educacional do país, sancionada pelo imperador Dom Pedro I, em 1827.

Tereza de Benguela – Também conhecida como rainha Tereza, viveu no século 18 e foi uma mulher negra e líder quilombola do Quilombo do Piolho, também conhecido como do Quariterê, localizado entre o rio Guaporé e a atual cidade de Cuiabá no Estado do Mato Grosso. Entre 1750 e 1770, o quilombo por ela liderado foi o maior daquele território, abrigando mais de 100 pessoas negras e indígenas.

Registros históricos apontam que o quilombo de Tereza funcionava como um parlamento: todas as decisões eram discutidas em grupo e havia uma estrutura de conselheiros. Não há registros de como foi sua morte, mas há uma versão de que teria sido assassinada em confronto com as forças contrárias. O quilombo foi desmantelado pelas forças de Luís Pinto de Sousa Coutinho em 1770. A lei nacional que a homenageia é de 2014 e foi sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT, 2011-2016).