Reprodução

Durante agenda em Laguna na manhã desta sexta-feira, 23, o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) se mostrou tranquilo em relação ao processo de impeachment que atinge seu ápice hoje e reafirmou, em entrevista exclusiva a Agora Laguna, que mantém a confiança na Justiça.

A estadia do chefe do Executivo no município durou cerca de uma hora e ocorreu quase simultaneamente ao momento em que o relator do processo, deputado Kennedy Nunes (PSD) começava a leitura do parecer que pediu o aceite da denúncia contra o pesselista e a vice Daniela Reinher (sem partido). Moisés veio à cidade para entregar as obras de melhorias do sistema de esgotamento sanitário, coordenado pela Casan.

“Acredito que vamos ter o arquivamento desse processo no dia de hoje. Senão pelos parlamentares, pelos desembargadores; nós acreditamos piamente. Deveria ser por todos, se forem justos, todos, inclusive os parlamentares devem opinar pelo arquivamento. Nós acreditamos na Justiça. Acreditamos que hoje se encerra esse capítulo ruim, infame da história do Parlamento catarinense”, afirmou o governador.

A mesma fala foi repetida a jornalistas que cobriram ato de inauguração da pavimentação asfáltica da SC-467, que liga os municípios de Ouro e Jaborá, no Meio Oeste catarinense, nesta tarde. “Não conseguirão superar um governo técnico. Os passos que nós demos jamais retroagirão”, enfatizou Moisés a Agora Laguna.

Até às 17h30, hora da última atualização da matéria, o placar da votação da sessão do Tribunal Misto Especial de Julgamento desse processo de impeachment, que analisa crime de improbidade de Moisés e Daniela pela equivalência dos vencimentos dos procuradores do Estado com os da Alesc, era de 2 a 1 pelo arquivamento. Votou a favor da continuidade do processo o deputado-relator e contra, os desembargadores Sérgio Rizelo e Carlos Alberto Civinski.

Segundo processo de impeachment

No começo da semana, a Alesc abriu um segundo processo fruto do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito que avaliou a compra de respiradores pelo governo do Estado para equipar leitos de UTI em Santa Catarina. A aquisição se tornou polêmica pelos atrasos na entrega dos equipamentos e pelo valor pago: R$ 33 milhões. O caso é alvo de investigação pelo Ministério Público (MP).

Para Moisés, o novo processo não tem causa justa. “O segundo processo é impróprio, inadequado, sem justa causa. Sem relação de causa-efeito do governador com qualquer tipo de aquisição e procedimento de compra. Não existe isso e a sociedade precisa saber que o governo do Estado, eu como governador, fui o primeiro a investigar, colocar a polícia em cima e conseguimos recuperar R$ 14 milhões desse processo de compra desastrosa”, afirmou.

Um novo tribunal de julgamento será montado, a exemplo do primeiro, composto por cinco desembargadores da Justiça estadual e cinco deputados estaduais. Os trabalhos serão conduzidos, novamente, pelo desembargador Ricardo Roesler, presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.