Foto: Sther Pessoa/Laboratório de Zoologia/Udesc Laguna

Ao contrário do que foi observado nos últimos anos, as baleias-francas austrais têm se concentrado nesta temporada na região das praias de Laguna, entre Gi e Farol de Santa Marta. Isso varia de ano-a-ano, pois os cetáceos possuem comportamentos singulares e isso pode gerar maior acúmulo delas em regiões específicas.

Em 2019, a maior concentração de baleias foi em Imbituba, na região da praia da Ribanceira – no ano foram 52 cetáceos monitorados entre Passo de Torres e Florianópolis. “Esse ano estão com um padrão diferente de ocorrência. Pra saber o que isso significa, precisamos chegar ao final da temporada e comparar com os anos anteriores para entender”, explica a pesquisadora diretora do Instituto Australis, Karina Groch.

Anualmente, as austrais migram da Antártida buscando águas mais quentes e calmas para parir, amamentar e cuidar dos filhotes. As gigantes ficam mais concentradas nas cidades de Laguna, Imbituba e Garopaba, que foram o núcleo econômico-turístico denominado Rota da Baleia Franca.

Outra razão para a quantidade de baleias que vem para o litoral Sul é explicado em uma pesquisa científica feita por Karina. O estudo comprova que a quantidade de cetáceos está relacionada à quantidade de alimento disponível na Antártida. Esses mamíferos se alimentam de um crustáceo conhecido como Kril, disponível em sua região de alimentação e a disponibilidade destes tem sofrido variações a cada ano.

“Sabemos que quanto mais alimento mais baleias vem pra cá, mas isso não tem necessariamente reflexo imediato no mesmo ano, e sim em anos subsequentes, pois interfere na possibilidade da fêmea engravidar, nos anos seguintes”, detalha Groch.

Monitoramento 

Vários grupos de pesquisadores tem acompanhado diariamente o aparecimento de baleias na região e cada avistamento impressiona e, em alguns casos, causa surpresa. Na última semana, Sther Pessoa, do Laboratório de Zoologia (Labzoo) da Udesc, precisou “correr” atrás do cetáceo para registrá-lo bem próximo do Molhes.

“Estávamos fazendo nosso monitoramento no Mar Grosso e avistamos dois grupos próximos ao posto 2. Um dos grupos começou a se aproximar do Molhes da Barra e eu fui ‘atrás’ de bicicleta. Era um indivíduo adulto e estava sozinho, se deslocando em velocidade constante mas em alguns momentos foi possível observar as exposições de nadadeiras. Ficou pouco tempo próximo as pedras e depois se afastou”, comenta.

Em paralelo, o Instituto Australis tem desenvolvido o projeto ProFranca, com apoio da estatal Petrobras. A pandemia, porém, adiou a vinda dos estagiários selecionados para atuar no monitoramento diário, que foi iniciado só na última semana. De terça à sábado, eles atuam nas praias de:

Laguna: Farol de Santa Marta e Praia do Gi

Imbituba: Praia da Ribanceira, Praia do Porto, Praia da Vila, Itapirubá e Praia do Rosa

Garopaba: Praia da Gamboa

Palhoça: Guarda do Embaú e Pinheira.