Um prédio com mais de cem anos de história amarga o esquecimento em pleno coração do Centro Histórico. Desde que a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) desocupou o local em setembro de 2024, o palacete registra invasões e até furtos. Agora, o imóvel irá passar para outras mãos: a prefeitura de Laguna.
A Celesc utilizou o espaço como sede a partir de março de 1990, quando a direção regional foi assumida por Mauro Candemil. Em 2023, diante do custo para a restauração – estimada em cerca de R$ 2 milhões, segundo informou o diretor regional Giocondo Tasso ao AL, na época – e com vários problemas estruturais, a estatal resolveu deixar o prédio e o atendimento passou para uma sala locada no Portinho.
“Considerando o desprezo pela manutenção e abandono, fiz várias incursões à diretoria da Celesc para sensibilizar e promover o restauro”, lamenta Candemil. Em nota enviada pela empresa, a assessoria disse que mesmo sem uso, o local continua recebendo manutenções pontuais. O imóvel é tombado como patrimônio histórico.
A Celesc também informou que realizou a venda do palacete para a prefeitura. “A alienação do prédio foi autorizada pelo Conselho de Administração da Celesc e no momento estamos em processo de conclusão da formalização do contrato de compra e venda”. O valor não foi informado.
‘Estamos em tratativas’
Procurada, a prefeitura de Laguna confirmou que ainda está debatendo os detalhes da aquisição. “Ainda não sabemos os valores, pois estamos em tratativa”, disse o prefeito Peterson Crippa (Republicanos).
Questionado sobre qual seria uso do imóvel, Crippa informou que também não há uma definição. Atualmente, a prefeitura tem outros prédios nas mesmas condições, como o Memorial Tordesilhas, a futura Casa do Peixe e o antigo paço municipal, que, recentemente, recebeu manutenção paliativa.
Cem anos
Localizado entre as ruas Tenente Bessa e Duque de Caxias, o imóvel foi inaugurado em 13 de junho de 1920 como residência do casal Luiz Severino Duarte e Francisca Duarte. Possui estilo arquitetônico eclético. Posteriormente, após o falecimento do casal, a residência passou para Judith Batista e Carlos Alberto Remor, e, nos anos 1990, comprada pela Celesc. Saiba mais sobre o prédio e Luiz Severino Duarte em matéria do blog do Valmir, aqui.