A Câmara de Vereadores de Pescaria Brava recebeu, nesta sexta-feira, 29, um pedido para declarar a perda do mandato da vereadora Talita Santos (PP), a segunda mais votada na cidade na eleição de 2024.
O pedido partiu do atual primeiro suplente do Progressistas, João Batista Medeiros, o Batavo, e é baseado em condenação sofrida pela vereadora em processo movido por uma moradora de Laguna pelos crimes de injúria e difamação. Publicações feitas em rede social e declarações atribuídas à parlamentar embasaram a ação judicial, que teve a sentença do Tribunal de Justiça, de Florianópolis, mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília (DF).
Procurada pelo Agora Pescaria, a vereadora Talita Santos informou que se manifestará em breve sobre o caso (veja abaixo). A presidência do Legislativo de Pescaria Brava recebeu o documento e determinou 15 dias para a parlamentar se manifestar.
João Batista Medeiros confirmou ao Portal que fez o pedido para a perda de mandato da colega de partido. A decisão do TJ também foi oficiada à Justiça Eleitoral que aponta que a parlamentar não está quite com as obrigações em razão da condenação – a sentença prevê um ano e quatro meses de reclusão em regime aberto, o que não a impediu de continuar participando das sessões e outras atividades legislativas.
No pedido feito à Câmara, o suplente também pediu para que sejam apurados e eventualmente ressarcidos aos cofres públicos os valores recebidos pela vereadora desde o trânsito em julgado da condenação, período em que, segundo o entendimento apresentado no pedido, ela já estaria impedida de exercer plenamente os direitos políticos.
Medeiros também não descarta acionar o Poder Judiciário, caso o pedido não seja aceito.
Vereadora se manifesta
A vereadora Talita Santos (PP) usou as redes sociais, neste sábado, 30, para se manifestar pela primeira vez após o pedido do suplente João Batista Medeiros.
“Querem me calar, querem me cassar”, escreveu a vereadora. “E tudo isso, na minha visão, foi arquitetado por alguém que precisou de muitas mãos para chegar onde está. Mas depois que chegou, passou a acreditar que chegou sozinho. Passou a acreditar que o reinado lhe pertencia. Ao seu redor, surgiram os bajuladores. E aqueles que decidiram se render aos pés do poder passaram a atacar quem ousou ter posicionamento próprio”.
Embora o texto não cite nomes, há um áudio atribuído à vereadora que menciona o prefeito Luiz Henrique Castro (PP). Ex-aliados, ambos estão rompidos politicamente após Talita decidir manter o apoio à reeleição do deputado estadual Felippe Luiz Collaço, o Pepê Collaço (PP).
“Confesso que jamais imaginei ver determinadas pessoas participando desse processo. Pessoas que admirei durante anos, pela história, pela família e pela trajetória construída. Mas cada um faz suas escolhas. A diferença é que eu nunca permiti que ninguém decidisse por mim. Nunca deixei que me dissessem o que pensar, quem apoiar ou qual caminho seguir”, continuou a vereadora. A Câmara de Vereadores recebeu a solicitação e deu prazo de 15 dias para a parlamentar se manifestar.
