Pesquisas desenvolvidas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Laguna, revelam que a presença de lixo marinho não se restringe a praias urbanas ou intensamente frequentadas. Áreas isoladas, como a Praia do Gravatá, em Laguna, também são atingidas por contaminantes.
“Comprovamos que o plástico está presente no trato digestivo de peixes, o que pode levar à desnutrição e até à morte por inanição”, explica o professor Eduardo Gentil, do curso de Ciências Biológicas da Udesc Laguna.
As pesquisas integram o PróPraias, projeto internacional da Udesc Laguna em parceria com a Universidade de Antioquia (Colômbia). O objetivo é monitorar a qualidade ambiental das praias da América do Sul.
“A ideia é construir indicadores que façam sentido para a realidade local. Muitos modelos internacionais não consideram as particularidades do litoral sul-brasileiro”, explica Gentil, que coordena o projeto.
Obras de engenharia costeira
Além da contaminação das águas, o litoral brasileiro sofre com o fenômeno da erosão costeira. Nos últimos 30 anos, o país perdeu aproximadamente 15% da faixa de areia em suas praias – Santa Catarina concentra ao menos 27 municípios suscetíveis ao problema, conforme estimativa do Ministério do Meio Ambiente.
De acordo com a equipe do PróPraias, construções de engenharia costeira, que serviriam para conter os efeitos da erosão, muitas vezes apenas transferem o problema para praias vizinhas. Os impactos acabam agravando o fenômeno em outros trechos do litoral.
“Nem sempre obras pesadas são a melhor resposta”, destaca o professor. Segundo Gentil, soluções baseadas na natureza buscam reduzir a erosão com menor impacto ambiental e paisagístico.
Alcance internacional
Em parceria com a Universidade de Antioquia, o ProPraias criou um índice inédito para avaliar o impacto de furacões no litoral do Caribe colombiano. A ferramenta desenvolve mapas de risco que indicam alterações no cenário costeiro antes, durante e após a passagem de eventos extremos. Através dos dados, gestores públicos conseguem identificar quais área devem ser priorizadas na alocação de recursos.
“O conhecimento científico é essencial para reduzir prejuízos econômicos e sociais e orientar decisões mais sustentáveis diante das mudanças climáticas”, afirma Gentil.
