Prefeito de Pescaria Brava se posiciona após operação da Polícia Civil; governo emite nota

De acordo com a Polícia Civil, a operação, coordenada pela Delegacia de Combate à Corrupção de Tubarão, decorre de inquérito que apurou um esquema de corrupção sistêmica envolvendo propina a agentes políticos e a prática de crimes licitatórios, incluindo fraudes em certames e em execuções contratuais. Além do prefeito de Garopaba, Júnior Abreu (PP), foram presos um servidor de Garopaba do setor de licitações e o empresário ligado à empresa que faz a coleta de lixo naquela cidade. 
Foto: Elvis Palma/Agora Laguna

O prefeito Luiz Henrique Castro (PP), de Pescaria Brava, gravou um vídeo de esclarecimento na manhã desta quinta-feira, 8, em que se posiciona a respeito do cumprimento de mandados de busca e apreensão na sede da prefeitura por parte da Polícia Civil.

Castro, segundo a corporação, foi um dos alvos da Operação Coleta Seletiva, que apura esquema de corrupção na prefeitura de Garopaba vigente desde 2016 e que levou à prisão o prefeito local, Júnior Abreu (PP). O atual prefeito de Pescaria Brava foi secretário de Administração em Garopaba, nos anos de 2021 e 2022.

“A gente recebeu as autoridades competentes para poder colaborar com uma investigação do município de Garopaba que está sob sigilo e não tem nenhum relacionamento com Pescaria Brava. […] A operação é sobre coleta de lixo, pois bem, aqui em Pescaria Brava quem faz é a gente; a empresa nunca teve contrato com Pescaria Brava e o município não tem envolvimento com essa investigação”, disse o prefeito bravense.

De acordo com a Polícia Civil, a operação, coordenada pela Delegacia de Combate à Corrupção de Tubarão, decorre de inquérito que apurou um esquema de corrupção sistêmica envolvendo propina a agentes políticos e a prática de crimes licitatórios, incluindo fraudes em certames e em execuções contratuais. Além de Júnior Abreu, foram presos um servidor de Garopaba do setor de licitações e o empresário ligado à empresa que faz a coleta de lixo naquela cidade.

Em nota, a prefeitura de Pescaria Brava confirmou que houve cumprimento de mandados na sede administrativa em Santiago e que as ordens eram destinadas ao “ex-secretário de Administração do município de Garopaba (atual prefeito de Pescaria Brava) e a dois servidores do município de Pescaria Brava, em contexto relacionado ao Município de Garopaba”. O governo municipal também reforçou que a empresa investigada não tem contrato na cidade e que a coleta de resíduos é de responsabilidade municipal, sem terceirização.

Tubarão emite nota

A prefeitura de Tubarão emitiu uma nota na manhã desta quinta em respeito à vinculação do nome da cidade com a operação. “A Prefeitura de Tubarão informa que não houve qualquer operação policial, cumprimento de mandados ou ações da Operação Coleta Seletiva nas dependências da Administração Municipal nesta quinta-feira. O Município esclarece que não é alvo da investigação conduzida pela Polícia Civil e que nenhuma secretaria, servidor ou gestor da Prefeitura de Tubarão está envolvido nos fatos apurados”, diz o texto.

A prefeitura de Garopaba ainda não se manifestou publicamente sobre a operação. Até o momento, a defesa de Júnior Abreu também não emitiu nenhum posicionamento.

Leia a nota da prefeitura de Pescaria Brava

“A Prefeitura Municipal de Pescaria Brava, em estrito cumprimento ao princípio constitucional da publicidade e ao dever legal de transparência, pilares fundamentais da Administração Pública consagrados no artigo 37 da Constituição Federal e aprofundados pela Lei nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação), vem a público apresentar esclarecimentos detalhados acerca dos fatos ocorridos na data de hoje, 08 de janeiro de 2026, relacionados à segunda fase da operação policial denominada “Coleta Seletiva”.

A Administração Municipal reconhece e confirma que, na manhã desta quinta-feira, agentes da Polícia Civil cumpriram mandados judiciais na sede desta Prefeitura, fato que gerou compreensível alarme e interesse público. É crucial sublinhar, desde o primeiro momento e com a máxima veemência, que o objeto central e primordial da investigação conduzida pelas autoridades policiais não guarda qualquer relação de natureza contratual, material ou de gestão com os atos, procedimentos e contratos administrativos mantidos pelo Poder Executivo Municipal de Pescaria Brava/SC, haja vista que os mandados estavam destinados ao Ex-Secretário de Administração do Município de Garopaba/SC (atual Prefeito de Pescaria Brava/SC) e a 2 (dois) servidores do Município de Pescaria Brava/SC, em contexto relacionado ao Município de Garopaba/SC.

Conforme detalhado em comunicações oficiais da própria Polícia Civil e pela análise preliminar dos mandados apresentados, o cerne da Operação “Coleta Seletiva” está intrinsecamente ligado à apuração de supostas irregularidades em procedimentos licitatórios e na consequente contratação de uma empresa privada especializada no ramo de coleta de lixo, especificamente no Município de Garopaba/SC, a qual não mantém qualquer relação com o Município de Pescaria Brava/SC, haja vista que o município bravense realiza os serviços de coleta de lixo com mão de obra própria”.

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