Família espera por justiça cinco anos após desaparecimento de Diego Scott

Nesta quinta-feira, 15, completam cinco anos do sumiço de Diego, visto pela última vez quando foi colocado dentro de uma viatura e levado para um local distante – embora no boletim de ocorrência, os policiais tenham dito que tinham o apresentado à delegacia.

O consolo da professora aposentada Maria da Graça Scott, 75, é saber que a casa continua cheia com familiares, como filhos e netos, e por amigos que vêm lhe visitar. Dois vazios, porém, ainda são sentidos na residência dela no bairro Progresso: o filho Diego, desaparecido aos 39 anos, e o marido Edson, ex-jogador do Internacional-RS, cujo falecimento, aos 73, completa dois anos no fim de janeiro.

A educadora abriu pela segunda vez as portas de casa para conversar com o Agora Laguna. Nesta quinta-feira, 15, completam cinco anos do sumiço de Diego, visto pela última vez quando foi colocado dentro de uma viatura e levado para um local distante – embora no boletim de ocorrência, os policiais tenham dito que tinham o apresentado à delegacia.

Naquele dia, os policiais foram duas vezes à casa dos Scott após acionamento por uma discussão familiar. Era para ser uma ocorrência normal, como já acontecera no passado, mas as contradições e a sucessão de fatos mostraram que não.

Diante das inverdades, a família começou a procurar procurar por Diego, mas sem sucesso. Confrontados com imagens de uma câmera de segurança, os policiais reviram a versão. A infração disciplinar levou à expulsão de ambos em 2022.

Falta amparo, diz polícia

A expulsão dos ex-militares foi comemorada, mas para a família Scott foi pouco perto do sofrimento que cinco anos depois ainda convivem. “A família ficou destruída”, diz Maria da Graça.

Os irmãos Rafael e Antônio não escondem o sentimento de revolta, mas é o filho de Diego, Miguel, de 13 anos, quem se sente mais afetado. O adolescente preferiu não acompanhar a entrevista, segundo a mãe Alexsandra Joaquim, 46.

Além da ausência, a família se sente desamparada. Mensalmente, Alexsandra recebe R$ 500 de uma pensão paga pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em razão do reconhecimento da presunção do óbito de Diego. O mesmo valor é concedido ao filho, bem longe do montante de R$ 150 mil a título de indenização que foi propagado ao longo dos últimos anos.

“Até hoje não tivemos justiça. Os policiais continuam soltos, vivem como se nada tivesse acontecido e a nossa vida está parada desde aquele 15 de janeiro”, reclama Alexsandra.

A viúva de Diego revelou ao Agora Laguna que pretende entrar novamente com processo para reconhecimento judicial do óbito e não apenas a presunção.

Contraponto

Os inquéritos das do caso foram concluídos em março de 2021. O da Polícia Civil não teve indiciamento e o da PM apontou que não havia elementos comprobatórios que indicasse a morte do desaparecido, mas que ocorreram crimes de ordem militar e para transgressão disciplinar.

Os ex-PMs Luiz Henrique Corrêa e Eduardo Amorim não comentam o assunto. As defesas também não se posicionam e deixam as manifestações para os autos dos processos judiciais.

Foto: Luís Claudio Abreu/Agora Laguna

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