Empresário diz que repassou dinheiro a políticos em esquema do lixo em Garopaba

Investigação apura irregularidades em editais e contratações da coleta de lixo de Garopaba desde 2016.
Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil concluiu o inquérito da Operação Coleta Seletiva, que ganhou novos capítulos com o depoimento do empresário Joaquim Pacheco, dono da empresa Resamb, detido em 8 de janeiro junto do prefeito Júnior de Abreu (PP), de Garopaba.

Em depoimento, o empresário afirma que repassou dinheiro entre 2021 e 2025 com a intenção de “ajudar o chefe”, que seria Abreu. Os detalhes foram divulgados pelo portal Garopaba.SC e confirmados pelo Agora Laguna, que obteve cópia dos documentos.

De acordo com o relatório da investigação, Pacheco afirmou que recebeu um pedido de Luiz Henrique Castro (PP), atual prefeito de Pescaria Brava e secretário de Administração de Garopaba até 2022, um valor de R$ 25 mil por mês para liberar pagamentos para a Resamb. A partir de 2023, o empresário seguiu com os pagamentos, com um valor de R$ 20 mil por mês e chegou a afirmar que entregou dinheiro em mãos para Júnior de Abreu.

A Polícia Civil pediu que as prisões de Abreu, de Pacheco e do servidor público Silas Gonçalves, pregoeiro em Garopaba, sejam mantidas pelo Tribunal de Justiça por entender que há risco às investigações. Há indícios que houve tentativa de obstrução de justiça. A investigação apura irregularidades em editais e contratações da coleta de lixo de Garopaba desde 2016. Mandados chegaram a ser cumpridos em Pescaria Brava, mas sem ligação com a prefeitura municipal, que, em nota, reforçou que a coleta na cidade é feita por ação própria, sem terceirização.

O que dizem os envolvidos

Procurado pelo Agora Laguna, o prefeito de Pescaria Brava, Luiz Henrique Castro (PP), enviou nota assinada pela defesa técnica. “A defesa esclarece que as diligências realizadas no dia 8 de janeiro decorrem de investigação que apura fatos vinculados ao Município de Garopaba, referentes a período anterior. Não há qualquer relação entre a investigação e atos, contratos ou procedimentos da Prefeitura de Pescaria Brava, tampouco vínculo com a empresa investigada. Ressalta-se, ainda, que a total inocência do acusado será provada na instrução do processo. O cliente reafirma seu respeito às instituições, sua disposição em colaborar com as autoridades competentes e seu compromisso com a transparência e o esclarecimento dos fatos”, diz o posicionamento.

Segundo o portal Garopaba.SC, a defesa do prefeito Júnior de Abreu afirmou que a prisão é provisória e não representa culpa, ressaltando que não foram identificados indícios de interação direta entre o prefeito e o empresário. A defesa de Silas Pacheco e Joaquim Pacheco não foram localizadas, todavia o espaço permanece aberto.