Como instituição privada que recebe recursos do poder público, o Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos de Laguna precisa ser mais transparente com a população que atende e que, indiretamente, acaba por financiar suas atividades.
Os dois episódios recentes de uma paciente que teria sido abusada por funcionários na ala psiquiátrica e a negativa de atendimento a uma criança precisam ser esclarecidos e os resultados devem ir além de uma nota de posicionamento padrão de que o caso será avaliado internamente.
As entranhas do hospital de Laguna ainda são cercadas de dúvidas e a transparência prometida segue como uma visão turva. Isso vale não apenas em relacionamento com a imprensa, mas também com os próprios funcionários que ainda em dezembro ameaçaram a deflagração de greve.
Como única casa hospitalar da cidade, a instituição goza de certos prestígios, mas tais concessões não podem ser dadas apenas por esse fato. O lagunense, como usuário, precisa saber detalhadamente para onde vão as destinações de recursos, o que ocorre com funcionários que prestam serviço aquém e se a ouvidoria realmente funciona como órgão de contato para resolver problemas surgidos durante a passagem destas pessoas em busca de atendimento.
A insistência por respostas nos dois últimos casos ultrapassa o interesse jornalístico, é uma situação de desejo público para que não caiam no esquecimento e, principalmente, não se repitam.
Mais do que uma mera política interna, a transparência em todos os sentidos não é caridade com quem busca e quer saber a informação; é uma necessidade de toda uma sociedade.