Foi numa noite de um dia 4 como este que há 95 anos, um grupo de jovens fundou mais um time de futebol, a nova febre na cidade. Esse grupo era formado por João Rosa, João Ribeiro dos Santos, Athayde Rodrigues, Altamir Heleodoro de Souza, Pedro Fernandes, Jaime Paz e Manoel Bessa, responsável pelo nome pelo qual entraria para a história: Barriga Verde.
Um ano depois da fundação, em 1931, venceram o primeiro Campeonato Lagunense que se tem registro. Chegaram até a disputar o estadual. Todavia, como o futebol é uma montanha-russa de altos e baixos, o Periquito saiu dos gramados para jogar no campeonato da memória.
Deixou de existir em 1975, superado pelo adversário político: acabou junto com o Estádio Nereu Ramos. Doou o campo para servir de terreno para o Ginásio Bertholdo Werner com a promessa de uma indenização capaz de lhe reerguer. Nunca mais voltou.
Descobridor de craques
Dos jogadores que fizeram história nos times do Sul ou do país e que nasceram em Laguna, uma família pode ser considerada como celeiro de craques. Quatro Figueiró se destacaram: Antônio, Mengálvio, Luiz e Benenval.
Beneval foi um dos primeiros a se destacar. Começou no Barriga Verde, depois foi jogar em um time antigo de Curitiba, o Bretanha, passou pelo Avaí da capital e jogou pela Seleção Catarinense.
Luiz Figueiró vestiu as camisas do Grêmio e do Santos. Já o mais novo, Mengálvio jogou aqui nos anos 50 e foi vestir a camisa do Aimoré, do Rio Grande do Sul, onde o bom desempenho o levou ao Santos-SP, de Pelé, Durval e companhia, e se tornou o único lagunense a defender da seleção brasileira. “O Barriga Verde foi tudo”, disse Mengálvio ao Agora Laguna. Outro jogador lembrado é Luiz Paulo Carneiro, filho do ex-prefeito Paulo Carneiro, que viria depois a ser árbitro.
Não foram os únicos craques. O Periquito também foi o primeiro time de Miguelito Bonifácio, que vestiu as camisas do Ferroviário, sendo o craque estadual de 1968 e campeão catarinense com o time de Tubarão no esquadrão de 1970, e acabou, junto com o colega Eraldo, indo jogar na Bolívia, tendo defendido os clubes Aurora, Oriente Petrolero e Jorge Wilstermann. “Fiz muitos jogos pela Libertadores”, lembrou o ex-atleta em entrevista a Valmir Guedes Júnior.
Dalmo Faísca, que faleceu em 2023, foi um outro nome muito associado ao time, onde foi goleiro por mais de uma década. O desempenho garantiu vagas em times como Metropol, de Criciúma.

Dragão era rival
Laguna até teve um Fluminense, mas o clássico na cidade era Barriga Verde com Flamengo. O Dragão surgiu na década de 1940 e desapareceu da mesma forma que o Periquito.
“Era difícil. O clássico era grande demais”, recordou Faísca, em 2020. “Era uma guerra, não tinha brincadeira”, avalia Mengálvio. O Periquito também rivalizava com Hercílio Luz e Ferroviário, de Tubarão, e o Imbituba.
Grandes foram os jogos travados nas cidades vizinhas e em seu campo, infelizmente, nem sempre a vitória vinha. “Com o Hercílio era um jogo de muito respeito. Com o Henrique Lage [Imbituba] era difícil de jogar”, disse Faísca.
Apesar do interesse e da vontade, depois de 1975, nem Flamengo nem Barriga Verde conseguiram voltar. Tentativas foram feitas, mas sem sucesso. A mais recente foi em 2009. Desde então, só lembranças.