A declaração do governador Jorginho Mello (PL) praticamente condicionando sua reeleição como requisito para realizar a construção da tão sonhada Ponte do Pontal é o retrato fiel do modo como as autoridades políticas do Estado tratam as prioridades de Laguna.
Já faz mais de 50 anos que a comunidade da região da ilha anseia pela ponte, uma estrutura que poria fim ao hábito centenário de cruzar a barra em uma balsa – nas últimas semanas, novos relatos de encalhes, dificuldades de travessia e demora voltaram a aparecer.
A cada nova vinda do governador, a expectativa do anúncio, mas apenas a promessa é renovada e ganha contorno eleitoral. Ao afirmar que será no próximo governo, Mello coloca a ponte como moeda de troca perante o eleitor. Não afirmou textualmente, mas foi quase como dizer: “vote em mim para ter a ponte”. Tem sido assim desde os anos 70 e já foi prometido de tudo: desde ponte flutuante a estacas de bambu fincadas em um pretenso canteiro de obras, que nunca evoluiu.
Acontece que Jorginho Mello chegou à cidade pelo alto, assim como têm feito os últimos governadores de Santa Catarina. Todos veem Laguna pela visão aérea. Os ocupantes dos altos postos da política estadual não utilizam a balsa diariamente; não têm de pagar um preço alto pela travessia, cuja soma ao final do mês pesará no bolso do cidadão.
Se experimentassem um dia viver a dificuldade, a ponte não seria promessa; seria realidade.