Ação judicial pode impedir fábrica multinacional de funcionar em Laguna

Processo movido pela concessionária Motiva (antiga CCR ViaCosteira) quer obrigar Eikto a fechar único acesso à fábrica. Representantes da empresa apontam que isso representaria o fechamento do parque fabril, com 80 empregos em risco e R$ 50 milhões em investimentos perdidos.
Divulgação/Eikto

Uma ação judicial em trâmite na 2ª Vara Cível da Comarca de Laguna, desde julho, pode representar a desativação da unidade fabril da Eikto, a multinacional chinesa instalada em Caputera, às margens da BR-101. O processo foi iniciado pela Motiva (antiga CCR ViaCosteira) para obrigar a empresa a fechar o único acesso ao complexo industrial.

Na ação, a concessionária alega que o acesso é irregular e pede a regularização ou o fechamento sob pena de multa diária de R$ 1 mil. A diretoria da empresa pontua que esse é o único meio de acesso ao parque fabril.

“Fechar o acesso significa fechar a fábrica. É impedir que nossos 80 colaboradores cheguem para trabalhar, que a matéria-prima chegue e que nossos produtos saiam. É uma sentença de morte para um investimento que acreditou no potencial de Laguna e de Santa Catarina”, desabafa um representante da empresa. A concessionária foi procurada pelo

Agora Laguna e o espaço permanece aberto – a assessoria de comunicação informou que buscaria um posicionamento jurídico sobre o assunto.

Internamente, a Eikto trata o assunto com cautela. A diretoria e os investidores receberam o processo com incredulidade. O grupo se instalou em Laguna aproveitando de um terreno com fácil acesso à BR-101 e que já existia – a Motiva alega que não há autorização. Até agora, foram investidos mais de R$ 50 milhões em investimentos diretos com a geração de 80 postos de trabalho e negociações para ampliação do parque fabril, mas todo esse planejamento fica em risco com a ação movida contra a fábrica.

O processo judicial encontra-se temporariamente suspenso: a empresa busca um diálogo com a Motiva para propor uma solução que seja consenso para ambas as partes. “Nós não causamos este problema, mas estamos dispostos a fazer parte da solução. O que não podemos aceitar é que a burocracia destrua um projeto que está gerando emprego, renda e desenvolvimento para a região”, afirma a fábrica.