A migração de Peterson Crippa do PL para o Republicanos, que deve ser confirmada ainda nesta sexta-feira, 23, não será a primeira vez que um prefeito troca de partido no decorrer do mandato em Laguna.
A prática que já ocorreu no passado em ocasiões distintas, ficou mais comum no começo dos anos 80 com a reabertura democrática e o surgimento de novos partidos. Em Laguna, há pelo menos três prefeitos que mudaram de legenda no decorrer do tempo em que ficaram na cadeira – desconsiderando mudanças de nomenclaturas.
Os motivos para isso foram variados: desde troca de apoio a divergências internas. Importante lembrar ao leitor que, diferente do que ocorre com um vereador ou deputado, a troca de partido do prefeito ou do vice não afeta o mandato, ou seja, não há brecha para pedido de cassação ou perda da cadeira pela chamada infidelidade partidária.
Permanência de Crippa no PL ficou insustentável
Embora tenha afirmado que 97% do partido lhe foi solidário, a permanência de Crippa no PL ficou na berlinda após críticas públicas e pedidos de expulsão pelos deputados Zé Trovão, Júlia Zanatta e Jessé Lopes, que subiram o tom contra o prefeito em razão de ter nomeado comissionados filiados a partidos de esquerda, como PT e PCdoB.
A saída do prefeito começou a ser articulada desde então como uma alternativa à medida drástica da expulsão. Em publicação feita na internet, Crippa afirmou que “recalculou” seus pensamentos após ser confirmada a adesão da prefeita Carmen Zanotto, de Lages, e da deputada federal por Criciúma, Geovânia de Sá, ao Republicanos, partido que ele também já foi filiado entre 2007 e 2011.
“‘Fiz contas’ e na matemática da política há subtrações que favorecem o resultado logo ali na frente… E com a anuência do governador Jorginho foi decidido que eu retornaria ao 10”, afirmou na manhã de quinta-feira, 23. “O governador pensa que Laguna é um case de muito valor para ‘a marca’ Republicanos e agora terá uma força a mais para continuar investindo na nossa cidade”, completou.
Relembre prefeitos que já trocaram de partido em Laguna

Juaci Ungaretti, prefeito de 1966 a 1970
Eleito em outubro de 1965 pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em uma votação que teve apuração à luz de velas após queda no fornecimento de eletricidade, Ungaretti não teve opção e precisou mudar de partido em 1966. É que o governo militar de Castello Branco determinou a extinção de todas as legendas e instituiu o bipartidarismo após as derrotas governistas em 65. Naturalmente, era esperado que ele fosse para a Aliança Renovadora Nacional (Arena), mas Ungaretti preferiu seguir os petebistas que se reagruparam sob a bandeira do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que deu origem ao PMDB na década de 1980.

Adílcio Cadorin, prefeito de 2001 a 2004
Eleito vereador na década de 1970 em Caxias do Sul pelo MDB, Adílcio Cadorin seguiu o grupo de Leonel Brizola quando este criou o PDT em 1982 e foi eleito prefeito de Laguna pela legenda em 2000, numa vitória que surpreendeu. Passada a eleição e depois de quase um ano no cargo, movido pela promessa de apoio da bancada federal do Partido da Frente Liberal (PFL) catarinense, ele mudou de partido no fim de 2001, com o apoio de Brizola. PFL e PDT mantiveram aliança em 2004 na tentativa de reeleição do então prefeito.

Samir Ahmad, prefeito de 2021 a 2024
O mais recente caso de mudança de partido foi com o antecessor de Crippa. Eleito pelo Partido Social Liberal (PSL), o empresário Samir Ahmad deixou de pertenceu ao partido em meados de 2021, quando o então governador Carlos Moisés saiu da sigla. Por um tempo, Ahmad não ingressou em nenhuma outra agremiação até que Moisés decidisse seu rumo, o que aconteceu em março de 2022. Na ocasião, o governador entrou no Republicanos para disputar a reeleição e levou consigo o prefeito lagunense – a passagem pelo Republicanos foi até meados de 2023. Quando encerrou o mandato, o ex-prefeito seguia sem partido.