Não há uma estatística que estime o número de vítimas, mas desde meados do ano passado, a delegacia de Polícia Civil recebe registros de boletins de ocorrência de pessoas que foram vítimas ou sofreram tentativas de serem enganadas por golpistas que se passam por advogados e escritórios.
Funciona assim: o criminoso descobre o número da vítima e acessa dados de processos em sistemas judiciais – importante frisar que muitas dessas informações são públicas e de acesso rápido pela internet. Com os detalhes em mãos, faz contato com a pessoa para comunicar que o processo teve andamento e que para obter os valores da decisão, é preciso fazer um depósito de quantia variada.
Muitos acreditaram e pagaram. João (a pedido, o nome será trocado) acreditou na boa-fé da mensagem que recebeu. Esperando uma quantia de um processo movido contra uma loja, acabou pagando R$ 1 mil para o golpista. “Quando paguei, ele me bloqueou e sumiu. Percebi que tinha sido golpe”, lamenta.
A dor de cabeça é compartilhada entre vítimas e advogados. Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Laguna, Edson Rosa Júnior, revela que clientes do seu escritório foram procurados por golpistas.
“Nós temos um trabalho intenso entre OAB e Polícia Civil no sentido de fazer a investigação e punição dos culpados”, destaca.
Em nível estadual, a instituição subiu o tom. No começo do mês, foi anunciado o ingresso de ação civil pública contra as plataformas digitais. “Está claro: as empresas também precisam ser responsabilizadas por garantir a segurança dos seus usuários”, pontua o presidente da OAB/SC, Juliano Mandelli.
Orientações
- Procure sempre falar diretamente com o advogado ou o escritório;
- Não repasse nenhum valor ou informação pessoal por telefone;
- Registre boletim de ocorrência