Neste domingo, 12, completam-se 180 anos da primeira visita de Dom Pedro 2º à Província de Santa Catarina feita em 1845. Segundo imperador do país, o monarca havia sido declarado maior de idade em 1840 e coroado um ano depois.
Era uma viagem de aproximação com o Império que governava. Além de Santa Catarina, também passou pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul – recém-pacificado após o fim da Revolta Farroupilha.
Nos dias em que esteve em SC, Pedro 2º e a imperatriz Teresa Cristina não passaram por Laguna, mas uma comitiva de lagunenses foi até Desterro (Florianópolis, a partir de 1894) e também beijaram a mão imperial.
O que fez Pedro 2º
Recebido por uma capital “maquiada”, o imperador veio a Santa Catarina e fez o lançamento da pedra fundamental de uma nova ala do Imperial Hospital de Caridade – a instituição ainda guarda a pá de pedreiro usada no ato solene – e se hospedou em Santo Amaro da Imperatriz. Na estadia, ainda passeou por Desterro e visitou escolas.
Imperador condecorou lagunenses
Antes de finalizar a passagem por Santa Catarina, o imperador distribuiu uma série de condecorações, em 3 de novembro de 1845, a catarinenses. A relação foi publicada no jornal Relator Catharinense, editado com o fim nobre de relatar a visita de suas majestades à província.
De Laguna, os três agraciados pelo imperador foram: Domingos José da Silva, presidente da Câmara; José Antônio Cabral e Mello, major da Guarda Nacional; e Antônio José de Freitas, subdelegado.
Almirante Lamego comandou embarcação
Um lagunense teve papel importante na comitiva. Jesuíno Lamego, então com 34 anos, era comandante na Marinha, e, a pedido do imperador, assumiu o comando da embarcação na viagem a Desterro. Depois, Lamego seria nomeado barão de Laguna por sua majestade em 1871. Também exerceu mandatos de deputado, senador e foi conselheiro. Morreu em 1886.

O discurso da vereança
Eis um trecho da fala de Domingos Silva: “Desejaríamos ter infinitos meios de receber vossa majestade com toda a pompa e grandeza dignas, mas se para retribuir tanta ventura e tanta honra nossos meios não chegam à altura de nossos desejos, digne-se ao menos aceitar a pública alegria como a expressão a mais significativa do nosso profundo reconhecimento e amor puro. […] Pela [felicidade] que encontrará em toda a parte, se convencerá, com o próprio testemunho, de que é um monarca feliz, que tem sabido fazer seus súbditos felizes”.
Além de Silva, os vereadores em 1845 eram: José Antônio Cabral e Mello, Francisco Cravo, Albino Roza e João Eufrazio de Souza.