Entidades repudiam fala de radialista que usou termo racista para criticar prefeito

Em nota, a prefeitura de Laguna disse que "o episódio torna-se ainda mais lamentável por ter ocorrido no dia do aniversário de Laguna, logo após uma homenagem à imprensa catarinense, um momento que deveria representar respeito e valorização à comunicação". OUTRO LADO: Difusora ainda não comentou assunto.

Entidades ligadas ao movimento negro emitiram notas de repúdio à fala de um radialista de Laguna que utilizou um termo visto como racista ao comentar a crítica pública feito pelo prefeito Peterson Crippa (PL) à Rádio Difusora em um evento no começo da semana. A declaração ocorreu na terça-feira, 29.

O comunicador usou a palavra “negrice” enquanto um segundo radialista falava sobre o Dia da Imprensa Catarinense. A prefeitura e o prefeito também se manifestaram.

No evento, que ocorreu na última segunda, 28, Crippa citou o veto da emissora às suas entrevistas como exemplo de falta de liberdade de imprensa na cidade.

A Rádio Difusora ainda não se manifestou oficialmente sobre a fala do radialista e o espaço permanece aberto. Por volta das 20h, Celso Fernandes enviou um posicionamento (leia aqui) em que pede desculpas pelo termo usado. Assista a fala acima.

Na internet, Crippa reforçou as críticas à emissora. “Irônico é a Rádio Difusora dizer que tem credibilidade em Laguna, enquanto propaga calúnia, difamação e fake news com frequência. Ainda vetam a ida do prefeito para não serem desmentidos”.

Em nota, a prefeitura de Laguna disse que “o episódio torna-se ainda mais lamentável por ter ocorrido no dia do aniversário de Laguna, logo após uma homenagem à imprensa catarinense, um momento que deveria representar respeito e valorização à comunicação”. “Como representantes do legislativo lagunense, reafirmamos nosso compromisso com a luta contra o racismo e com a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e igualitária”, diz um trecho da nota divulgada pela Câmara de Laguna.

Entidades do movimento negro têm se manifestado. O agente territorial de cultura, Rodrigo Lauffer, o Preto Lauffer, comentou: “Mais uma vez, a cor preta sendo colocada como símbolo do erro, da sujeira, daquilo que precisa ser corrigido ou evitado. O que se ouviu naquela transmissão não foi apenas um comentário infeliz. Foi a reafirmação de um padrão de pensamento racista, colonial e violento”.

Veja a nota da prefeitura

A Prefeitura de Laguna repudia veementemente o comentário racista feito por Celso Fernandes, veiculado na Rádio Difusora na manhã do dia 29 de julho, quando foi usada, de forma ofensiva, a expressão “cometeu negrice”.

O episódio torna-se ainda mais lamentável por ter ocorrido no dia do aniversário de Laguna, logo após uma homenagem à imprensa catarinense, um momento que deveria representar respeito e valorização à comunicação.

Racismo não é opinião. É crime.
E deve ser enfrentado com firmeza e responsabilidade, especialmente por aqueles que ocupam espaços na mídia.

Veja a nota da Câmara

A Câmara de Vereadores de Laguna manifesta seu mais veemente repúdio à fala infeliz e racista proferida por um locutor da Rádio Difusora de Laguna, que utilizou o termo “faz negrice” ao criticar o gestor municipal, justamente no dia em que celebramos os 349 anos de fundação da nossa cidade.

Utilizar uma expressão como essa, carregada de preconceito e associando a identidade negra a algo negativo, é inaceitável. Repudiamos com firmeza qualquer tentativa de associar a cor da pele ao erro, à falha ou à incapacidade. Ser negro não é e nunca será sinônimo de equívoco. É inadmissível que, em pleno século XXI, a negritude ainda seja utilizada como instrumento de desqualificação.

A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas jamais pode ser confundida com licença para propagar preconceitos ou desrespeitar a história e a dignidade de um povo. Como representantes do legislativo lagunense, reafirmamos nosso compromisso com a luta contra o racismo e com a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e igualitária.

“Do ponto de vista jurídico, a fala pode ser enquadrada como crime de racismo, previsto no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. A Constituição Federal, no artigo 5º, inciso XLII, estabelece que o racismo é crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão. Ainda, o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros determina que a atividade jornalística deve estar comprometida com a ética, os direitos humanos e o combate a qualquer forma de discriminação”, salienta a presidente do Legislativo, Tanara Cidade.

Nos solidarizamos com todos que se sentiram ofendidos e reforçamos que atitudes como essa não refletem os valores que prezamos enquanto cidadãos e agentes públicos.

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