Rasguem qualquer papel, apaguem qualquer linha. Não dá para prever os próximos capítulos da novela mais trágica que a política de Laguna assiste desde que a Operação Seival varreu a cidade entre 2017 e 2020. Como numa novela ou num filme, as reviravoltas têm se sucedido de uma maneira que se torna até impossível de acompanhar.
Um rito tão pacato e comum, o protocolo da eleição da Mesa Diretora para o primeiro biênio do Poder Legislativo, foi tragado por um emaranhado de cenas que não se têm registro recente de terem ocorrido. De papel rasgado a gritos ao microfone, o que se viu no dia 1º entra para a história da política local, sim; mas são os acontecimentos seguintes que dão contornos inimagináveis para o Coliseu em chamas que se tornou a Câmara.
A indefinição sobre o comando: se é de Cleosmar ou se é de Vitor Elíbio ou nenhum dos dois, dependendo do caso, não prejudica somente a imagem pública da vereança local, acaba por atrasar a vida da cidade. Por mais que não pareça, os vereadores têm uma função importante na engrenagem da roda pública de Laguna. São eles que fazem as leis e devem fiscalizar o poder público.
Mas sem Mesa Diretora, sob a égide de um presidente interino com poderes limitados, o Parlamento não pode ser convocado para discutir um projeto, não importa se será um simples nome de rua ou uma matéria que envolva o interesse público coletivo, como a liberação de recursos para uma obra ou um plano do governo.
Se a prefeitura precisar de uma aprovação legislativa não tem para quem recorrer. A Câmara está de mãos atadas e o Executivo ficará sentado à beira do caminho na espera de uma luz.
A resposta está na recente decisão do desembargador Júlio César Knoll, do Tribunal de Justiça. O Legislativo só vai funcionar de fato quando o colegiado, formado por mais magistrados, analisar o processo, o que deve ocorrer só depois do dia 20. Não se sabe a pauta do TJ. Não se sabe se há ou não uma ação mais urgente que a eleição de uma Mesa Diretora. Mas é preciso apelar para que o Judiciário assuma seu papel de protagonista e resolva isso na primeira hora se puder.
Laguna não pode ficar à mercê da mesquinharia e da briga por poder. Vale frisar o clichê: enrolam-se as flâmulas partidárias, desfralda-se a bandeira da cidade. Se for para brigar e discutir por algo, que seja pela população que foi votar no dia 6 de outubro acreditando que estava a fazer o bem coletivo.