Operação mira desvio de verbas e fraudes em Pescaria Brava, e bloqueia R$ 1,7 milhão em bens

Em nota, a DIC informou que "o objetivo desses desvios era remunerar diversos apadrinhados políticos e cabos eleitorais desse ex-agente político" através da empresa investigada. Há ainda indícios de superfaturamento dos contratos, que chegavam a remunerar até 50% a mais dos serviços efetivamente prestados.
Agora Laguna

Policiais civis cumprem, nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 20, uma série de mandados judiciais de busca e apreensão da Operação Exspiravit, que mira desvio de verbas públicas e outras fraudes na cidade de Pescaria Brava. É a quarta fase da força-tarefa, cujas etapas anteriores ocorreram em sigilo.

Os trabalhos são conduzidos pela Delegacia de Investigações Criminais (DIC), de Laguna, e envolve policiais das unidades de Imbituba, Pescaria Brava; da DIC de Tubarão e do núcleo Sul do Laboratório de Lavagem de Dinheiro.

Segundo a corporação, um político da cidade vizinha teria se associado com um empresário de Laguna, vencedor de diversas licitações em Pescaria Brava, com objetivo de desviar verbas que deveriam ser efetivamente empregadas no pagamento de trabalhadores afetos às secretarias da Educação e de Obras. Agora Laguna apurou que o agente investigado é o ex-prefeito Deyvisonn de Souza (MDB), que renunciou ao mandato em julho do ano passado. A empresa-alvo é a A & G Construtora. Os fatos ocorreram entre 2020 e 2022.

Em nota, a DIC informou que “o objetivo desses desvios era remunerar diversos apadrinhados políticos e cabos eleitorais desse ex-agente político” através da empresa investigada. Há ainda indícios de superfaturamento dos contratos, que chegavam a remunerar até 50% a mais dos serviços efetivamente prestados. “A título de exemplo, observou-se, ainda, que pagamentos realizados por Pescaria Brava eram endereçados até mesmo ao pai de um vereador da cidade de Joinville, que raramente vinha, a lazer, para o município”, revelou a corporação

Ao todo foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e sequestro de bens, resultando na indisponibilidade de R$ 1.708.405,92.

Fases anteriores

A operação teve a primeira fase em novembro de 2023, quando foram cumpridos mandados na prefeitura de Pescaria Brava. Em janeiro de 2024, os alvos foram imóveis em Joinville. A terceira fase contou com 20 ordens judiciais de busca e apreensão, foi executada em Laguna, Pescaria Brava e Criciúma. Cinco automóveis e dois imóveis foram sequestrados judicialmente em Tubarão e Laguna.

Exsperavit

Em nota, a Polícia Civil disse que o nome da operação é uma a alusão ao termo em latim para fantasma. “Tem relação justamente com a utilização de diversos funcionários fantasmas para a concretização do desvio de rendas públicas, as quais, desviadas das Secretarias de Saúde e Obras, eram endereçadas a fins eminentemente espúrios e particulares”, disse a corporação.

O que dizem as partes

Agora Laguna entrou em contato com a prefeitura de Pescaria Brava. Em um primeiro momento, o governo municipal informou, via assessoria, que não tem ciência dos fatos.

A defesa do ex-prefeito ainda não se manifestou. O Portal tenta localizar a representação jurídica da empresa A&G.

ATUALIZAÇÃO: Após a divulgação inicial da reportagem e com a obtenção de novas informações, o nome da empresa-alvo foi alterado após contato da defesa jurídica da construtora Magapavi, anteriormente citada, cujo proprietário também está no quadro societário da A&G, foco da investigação, e onde houve cumprimento de ordem judicial.