Presidente da Câmara fala em ‘perseguição’ e diz que Flama ‘extrapolou limites’ com aplicação de multa

Para o vereador, o caso é uma "perseguição política" em razão da aprovação do relatório da CPI que apurou supostas irregularidades na compra de kits de saúde bucal pela prefeitura ao custo médio aproximado de R$ 600. Dener Vieira, presidente da Flama, rebateu afirmações em vídeo.

Em discurso na tribuna na Câmara de Vereadores, o presidente Hirã Ramos (MDB), teceu fortes críticas à Fundação Lagunense de Meio Ambiente (Flama) após a aplicação de uma multa de quase R$ 90 mil a um restaurante, na Ponta da Barra, que é de propriedade da família do político. A autarquia diz que o estabelecimento cometeu infração ambiental.

A fala de Ramos durou cerca de dez minutos e foi aparteada, isto é, comentada por outros edis, incluindo Kleber Lopes, o Kek (União), e Nádia Tasso Lima (União). A íntegra está no vídeo acima.

Para o vereador, o caso é uma “perseguição política” em razão da aprovação do relatório da CPI que apurou supostas irregularidades na compra de kits de saúde bucal pela prefeitura ao custo médio aproximado de R$ 600. “A título de perseguição política pensam que vão passar por cima de mim”, afirmou o político. Em outro trecho, dirigiu o pronunciamento ao prefeito. “Querem beneficiar um pequeno grupo em detrimento de toda a população lagunense. O prefeito [Samir Ahmad] se superou como conspirador, perseguidor, auxiliado pelo vice-prefeito [Rogério Medeiros], que se reuniram para saber quais as estratégias de perseguição”, continuou.

Na última sexta-feira, 12, a prefeitura divulgou em seus canais de comunicação a aplicação da multa de R$ 88,9 mil, agravado por fatores como vantagem pecuniária indevida, danos graves ao meio ambiente e negligência do infrator em tomar medidas corretivas. “Tenho prova de como foi feita a conspiração dentro da prefeitura. As provas estão comigo e levarei ao Ministério Público e Polícia Civil. Foi uma história inventada para jogar o nome da minha família na lama”, afirmou.

Ramos classificou a decisão como uma “inverdade política”, afirmou que houve “extrapolação de limites” e direcionou críticas ao atual presidente da autarquia, Dener Vieira. O vereador argumenta que a punição tinha de ser excluída ou até mesmo reduzida. “É um abuso clássico de poder e perseguição política. Não vai haver mordaça, nem vão me calar diante de irregularidade”, pontuou.

O que diz o presidente da Flama

Agora Laguna fez contato com o presidente da fundação, Dener Vieira, que após quase um ano desbloqueou o telefone para o recebimento de mensagens. O pedido de comentário não foi retornado até a publicação no texto.

Por sua vez, Vieira divulgou um vídeo em uma rede social para rebater as falas, mas sem entrar em detalhe na questão administrativa da infração. Ele mostrou capturas de tela com mensagens atribuídas ao presidente da Câmara com ameaças e disse ter feito um boletim de ocorrência. “Ocupar um local na política sendo jovem e assumidamente gay acaba muitas vezes ocasionando preconceito, resistência e histórias mirabolantes”, argumentou.

Chamado de “moleque da comunidade” por Hirã Ramos, o chefe da autarquia rebateu: “Em nenhum momento houve irregularidade na aplicação da multa [que] deveria, sim, ser aplicada”.

Em outro ponto disse que não tolerará ataques ou “tentativa de ameaça e de interferir no meu trabalho”. “Não vou aceitar que coronéis da política tentem interferir no meu trabalho e tentem me amedrontar ou ameaçar. Se durante diversos governos ninguém teve a capacidade de finalizar esses processos com medo de represálias, não posso fazer nada. Apenas fiz meu trabalho”, completou.