Hospital pode enfrentar greve se repasses municipais seguirem atrasados

"Existe intenção de organizar uma paralisação parcial. Não tem mais condição de diálogo, nem condição de esperar a boa vontade dos gestores", afirma o ex-presidente e integrante da diretoria, Fernando Henrique Pache.
Foto: André Luiz/Agora Laguna

Sem previsão de receber pagamentos de repasses mensais da prefeitura municipal atrasados desde novembro, quando apenas uma parte foi depositada, o Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos convive com a possibilidade de paralisação de parte dos funcionários.

Só em 2023, os números revelam que a instituição atendeu mais de 38,5 mil pacientes na emergência, sendo que 95% são do sistema público, que responderam também por 90% das internações realizadas no ano anterior. Além de conviver com o atraso no reajuste dos valores repassados da chamada Tabela SUS, sem alteração há décadas, a entidade é mantida com aportes financeiros da prefeitura e governo do Estado.

Os valores pagos pela administração estadual, por questões burocráticas, devem ser liberados apenas na próxima semana. Já quanto à prefeitura, não há previsão de pagamento. “Ninguém trabalha sem receber”, resume a presidente Tatiana Mansur Blosfeld. Agora Laguna buscou posicionamento da gestão municipal, mas não houve retorno até a publicação do texto.

“Esse recurso é o que os médicos da emergência recebem, entre outros pagamentos, e segue atrasado. Amanhã, dia 20, vamos para o segundo mês de atraso e parte de novembro foi paga essa semana. O sobreaviso segue sem receber. É uma situação bem crítica”, descreve a médica. Geralmente, no começo do ano, em razão do aumento no fluxo de atendimentos, o hospital recebia acréscimos financeiros. Semana passada, por cerca de dois dias, a entidade atuou com lotação máxima.

Se o panorama não se modificar, os médicos do sobreaviso podem parar. “Existe intenção de organizar uma paralisação parcial. Não tem mais condição de diálogo, nem condição de esperar a boa vontade dos gestores”, afirma o ex-presidente e integrante da diretoria, Fernando Henrique Pache.

No final de novembro de 2023, a equipe médica que atual na instituição quase parou após ficar 60 dias sem receber.  “Até 90 dias de atraso, as pessoas seguram, mas estamos falando da emergência. E estamos falando de um serviço que é sobrecarregado e a nossa preocupação é que se não conseguirmos realizar esses pagamentos, teremos uma paralisação”, finaliza Tatiana.