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Vila Isabel chega aos 65 anos e anuncia enredo para 2024

Segundo dados levantados pela Vila, a escola teria ao menos 15 títulos de campeã, considerando a década de 60, que não restaram conservados os documentos das competições: 1960 a 1971, 1974, 1978 a 1982, 1985 a 1986, 2007 e 2009. Atualmente, a escola mantém viva suas raízes afrodescendentes com aulas de capoeira em sua sede.
Divulgação/PML
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Conhecida como ‘a internacional’, a Sociedade Recreativa Cultural Escola de Samba Vila Isabel comemora, neste sábado, 13, seu 65º aniversário de fundação. A celebração ocorreu há uma semana com uma paella regada a muito samba e boa música para seus componentes e o dia hoje foi reservado à relembrar as histórias com a escola, campeã mais de dez vezes do Carnaval lagunense. O presente de aniversário foi a revelação do enredo do próximo ano.

Em seu site oficial, a Vila Isabel resumiu: “Sua marca são os carros grandiosos, o luxo das fantasias e o gingado contagiante de sua bateria”. Criada como uma dissidência da antiga Mangueira, a agremiação carnavalesca foi fundada em 2 de novembro de 1957, mas, como era Dia de Finados e uma data com teor fúnebre, o grupo de idealizadores decidiu mudar o dia para 13 de maio. A escolha não foi por acaso: em 1888, naquela mesma data, foi assinada a Lei Áurea, que declarou extinta a escravatura no Brasil.

Entre seus fundadores, estavam: Antônio de Souza (Catarina), Luiz Flora, Rui Freitas, Álvaro Luiz (Alvinho), Antônio Olavo Bento, Dilton Nascimento, Márcio dos Santos, Dorival Nascimento, nomes que marcaram época no Carnaval local. É creditada à agremiação esforços para que a folia de Momo fosse mais organizada em Laguna, sobretudo com a divisão entre escolas de samba e blocos rancho, consumada em 1980 apenas. Em 1969, a tricolor inovou ao introduzir samba-enredo autoral, com a composição José 100 do Patrocínio, o tigre da abolição.

Já na década de 1970, foi marcante o fato que lhe consagrou como internacional. A escola foi convidada a desfilar no mundialmente famoso carnaval de San Juan, na Argentina. Muitos nomes passaram pela escola, como o engenheiro Mauro Candemil, carnavalesco, que comandou a prefeitura municipal de 2017 a 2020. “Minha trajetória na Vila Isabel começou em 1979, com o enredo Sinfonia tropical da Amazônia e dali em diante assumi como figurinista, autor de sambas-enredos e carros alegóricos”, recorda ele, lembrando de outros títulos, como o de 2007, ano da inauguração do sambódromo. Na busca pelo próprio espaço, em 1986, a Vila adquire e, após reformas, inaugura o Palácio do Samba, sua sede na rua Oswaldo Aranha, onde segue atualmente. “Após as solenidades de inauguração, a diretoria da Vila Isabel ofereceu aos presentes um saboroso coquetel, seguido de uma rosa de samba das mais animadas”, noticiou O Renovador, naquela ocasião.

Em 2008, nos seus 50 anos, a festa só não foi completa por um detalhe: a escola faturou o vice, ao perder por apenas um ponto. Mas foi motivada por esse fato, que um resgate foi feito. No ano seguinte, em 2009, foram editados um livreto com os sambas-enredos de 1979 para frente e dois volumes do CD Minha Vila, minha escola, onde Helinho da Vila cantou os mais célebres enredos da escola. Helinho foi homenageado em 2019, no pré-carnaval. “Faço parte da Vila há 40 anos e hoje, em especial, é uma honra de ser a responsável por dar seguimento à história da escola, onde nasci e fui criada. Agradeço à minha família e amigos que, junto comigo, estão firmes e fortes honrando e fazendo o nome da Vila ser muito bem representado e respeitado”, fala a presidente da escola, Cláudia Sabino.

Nas paredes e nas memórias do palácio, estão guardadas as fotos de desfiles antigos e os troféus ganhos. Apesar dos esforços, a história carnavalesca lagunense é falha no sentido de preservar com esmero seus registros históricos. Segundo dados levantados pela Vila, a escola teria ao menos 15 títulos de campeã, considerando a década de 60, que não restaram conservados os documentos das competições: 1960 a 1971, 1974, 1978 a 1982, 1985 a 1986, 2007 e 2009. Atualmente, a escola mantém viva suas raízes afrodescendentes com aulas de capoeira em sua sede.

Enredo sobre o gaúcho alegre

Agora, após a festa dos 65 anos, o foco é organizar e começar a preparar o que vai ser apresentado no próximo ano. Em 2023, com a volta dos desfiles, foi levada à passarela uma composição que falava das origens dos povos coissãs da África. Para 2024, a ideia é falar sobre Pedro Raymundo, músico de Imaruí que compôs a valsa Saudade de Laguna, que expressa a nostalgia dos tempos em que viveu na cidade juliana. Raymundo morreu em julho de 1973 e deixou marcas ainda mantidas no tradicionalismo gaúcho. “Nossa ideia já formatada é mostrar como esse grande artista ajudou a popularizar o gênero musical em todo o Brasil”, revela Thiago Laurindo.

Vila Isabel – Foto: Fernando Carlos Adriano/Agora Laguna/Achou

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