Reality gravado em Laguna, ‘O jogo’ ia ao ar há 20 anos

Programa semanal foi exibido de maio a julho de 2003 e foi todo gravado na cidade de Laguna, ou melhor, na Vila de Santo Antônio. Na cidade fictícia, mas com locações reais, os 12 participantes tinham de lidar com pistas e evidências para desvendar um crime cometido numa vila fictícia no sul do Brasil e concorrer a um prêmio de até R$ 250 mil.
Capa do Jornal de Laguna destaca estreia do programa em 2003. Foto: Luís Claudio Abreu/Agora Laguna

Vinte anos atrás, em uma terça-feira, 27 de maio, a TV Globo colocava no ar a primeira edição do reality show O jogo. O programa semanal foi exibido de maio a julho de 2003 e foi todo gravado na cidade de Laguna, ou melhor, na Vila de Santo Antônio. Na cidade fictícia, mas com locações reais, os 12 participantes tinham de lidar com pistas e evidências para desvendar um crime e concorrer a um prêmio de até R$ 250 mil.

Programa inspirado em Murder in a Small Town X (Assassinato na pequena cidade X, em tradução livre), da rede de TV americana Fox, a atração brasileira foi desenvolvida por Ronaldo Santos e teve direção de J. B. de Oliveira, o Boninho (o mesmo de Big Brother Brasil) e era apresentado pelo jornalista Zeca Camargo, hoje na Band TV.

Segundo o projeto Memória Globo, o reality ia ao ar às terças-feiras, após o humorístico Casseta & Planeta, urgente! e tinha 45 minutos de duração. Durante a programação da emissora, flashes de três a cinco minutos apareciam às segundas-feiras, quartas-feiras, quintas-feiras e sextas-feiras, antes do Jornal da Globo, para mostrar um pouco do dia-a-dia dos participantes.

O jogo começava com o assassinato do influente empresário Wagner Klein, diretor da Escola Paes Brasil. Candidato a prefeito, ele era casado com a professora Priscila Klein, mulher infeliz no casamento, e tinha um filho, Maurício Klein, jovem misterioso que vivia dos negócios do pai. Esposa e filho também tinham sumido no dia do crime, o que depois foi descoberto que haviam sido assassinados. A investigação foi o norte do programa.

“O trabalho de investigação, levado ao ar em dez episódios, envolveu seis homens e seis mulheres, que moraram juntos numa casa monitorada por câmeras, considerada o Q.G. do grupo, único lugar seguro onde não corriam o risco de serem eliminados pelo assassino. A rotina dos participantes não incluía nenhum script. Eles não tinham texto, nem eram dirigidos. Durante suas missões nas ruas, tinham contato com os suspeitos e com os moradores locais, sem qualquer interferência de direção. O roteiro existia apenas para a parte dramatúrgica do programa”, resume o Memória Globo.

No dia da estreia, segundo matéria do Jornal de Laguna, publicada poucos dias depois, a cidade tinha parado para assistir ao programa, que localmente era levado ao ar pela antiga RBS TV de Santa Catarina, atual NSC.  “As ruas estreitas, vazias de gente e de veículos mostravam que a população de quase 60 mil habitantes ficou esperando, em frente à televisão, o início do programa para ver, principalmente as imagens captadas pelas câmeras e a participação dos atores locais e dos figurantes convidados”, relata o jornal. Moradores da cidade, como Paulo Sérgio Ribeiro e Silva, Jurandir Marcelino, Jefferson Flora e até mesmo a professora Amélia Baumgarten Baião apareceram na telinha como figurantes do programa.

Para Adílcio Cadorin, prefeito de Laguna na ocasião, programas como esse ajudam a cidade no quesito visibilidade, ainda mais aproveitando o tempo de exibição em um veículo de comunicação de massa do porte da TV Globo. “Foi um dos primeiros programas em que Laguna começou a tomar espaço a mídia nacional, projetou e agora por exemplo, a cidade será sede da avant-première do filme italo-uruguaio A versão de Anita, que teve cenas gravadas aqui, isso sem falar na Tomada de Laguna e também no outro filme sobre a heroína, produzido por um cineasta de Sombrio com atores locais. Esse start em 2003 vem contribuindo para que produções como essas aconteçam e Laguna precisa muito de eventos dessa natureza”.

32 participantes

Os 32 escolhidos para participar foram: a carioca Elaine, de 27 anos, ex-produtora de publicidade; o advogado mineiro Breno, de 25 anos, que à época estudava para prestar concurso para delegado federal; o também mineiro Marco Antônio, de 30 anos, artista de rua e músico circense; a goiana Fernanda, de 23 anos, estudante de administração; o escritor gaúcho Antônio, de 41 anos, interessado em magia e contos fantásticos; a carioca Joana, de 21 anos, estudante de cinema e assistente de direção de documentários, eleita musa do verão do Rio de Janeiro em 2001; o administrador paulista Sidney, de 28 anos, amante de aventuras e esportes radicais; a carioca Priscila, de 26 anos, dona de um salão de beleza; a promoter mineira Tatiana, de 30 anos, figura badalada nas colunas sociais de Belo Horizonte; Rebeca, de 22 anos, estudante de design de interiores, nascida em Curitiba mas criada em Salvador, na Bahia; o arquiteto pernambucano Henrique, de 32 anos; e o cientista carioca Marcelo, de 32 anos.

À Folha de S. Paulo, Boninho falou sobre o processo de escolha dos participantes. “Selecionamos o grupo apenas com o cuidado para que fossem personagens interessados na linha de raciocínio que o programa traz”, disse. Antes de irem ao ar, todos os 32 passaram por treinamento com a polícia do Rio de Janeiro.

O programa foi vencido por Elaine. De acordo com o Memória Globo, ela apontou como assassina a assistente social Ritinha. O outro oponente, o mineiro Breno era o líder da semana e teve prioridade para apontar o assassino. Ele, porém, acusou o dentista Tadeu Reigel, inocente no caso.

O formato de O jogo até o momento nunca foi repetido ou teve essa edição reprisada na TV brasileira. Um dos fatores foi a audiência, os 25 pontos da estreia (na Grande São Paulo), segundo dados do antigo Ibope, não se sustentaram e baixaram para 13 em julho, na reta final. Na época, o jornal O Estado de S. Paulo chegou a dizer que havia várias críticas ao formato nos fóruns de debate da TV Globo.

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