Um mês após morte, polícia pede indiciamento de motorista que atropelou Tita

As conclusões foram enviadas ao Ministério Público, que já ofereceu denúncia pelo mesmo crime à Justiça.
Divulgação/PC

O motorista que atropelou e matou o ex-jogador de futebol João Batista Lemos, o Tita, 54 anos, foi indiciado por homicídio doloso e qualificado. O inquérito policial que investigou o acidente, ocorrido em 9 de dezembro, foi concluído nesta quarta-feira, 12, pela Polícia Civil.

A morte do futebolista causou revolta na sociedade pela forma como aconteceu. Imagens de câmeras de segurança flagraram o condutor da Hyundai Tucson ultrapassando uma Volkswagen Saveiro pela direita, o que é proibido pela legislação de trânsito.

A versão dada à polícia pelo homem – e divulgada por seu advogado em entrevista exclusiva ao Portal (reveja abaixo) – é de não houve ultrapassagem. No interrogatório, feito um dia depois da morte, quando o motorista se apresentou à delegacia de Laguna, ele argumentou que entrou no acostamento para fazer uma ligação e não conseguiu desviar da vítima, nem frear. Alegou, ainda, que iria parar o carro, mas temeu uma reação hostil de populares.

Ao Portal, testemunhas contradisseram a versão de que se formou um movimento de pessoas para linchar o motorista. A Polícia Civil informou que depoimentos apontaram que não houve diminuição de velocidade e que o homem seguiu viagem rumo à BR-101.

A investigação analisou várias imagens de câmeras de segurança, que, segundo a polícia, demonstraram direção agressiva do condutor desde o Mar Grosso. Uma das filmagens mostra que o veículo chegou a “rampar” em um cruzamento de ruas. Um equipamento de segurança também mostrou que, por pouco, outro ciclista também não foi atropelado momento antes de ele atingir o ex-jogador.

Também foram colhidos indicativos de possível embriaguez do homem. Uma das testemunhas que teve contato por telefone momentos antes do atropelamento, afirmou que ele mal conseguia se comunicar na ligação.

“A investigação se mostrou extremamente exitosa em decorrência de todo o empenho das equipes de investigação (Delegacia da Comarca e DIC), prontidão da Polícia Científica de Santa Catarina na realização das perícias requisitadas, e atuação do Ministério Público local”, reconhece o delegado William Testoni.

O inquérito foi finalizado com pedido de indiciamento por homicídio doloso e qualificado, por recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido, justificada pelo uso de veículo automotor em alta velocidade e pela colisão traseira, pelas costas do ciclista, sem que pudesse ver o veículo vindo em sua direção.

As conclusões foram enviadas ao Ministério Público, que já ofereceu denúncia pelo mesmo crime à Justiça. O Portal tenta contato com a defesa do motorista para obter seu posicionamento.

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