Sindicato de Laguna obtém acordo judicial e pai se retrata por críticas a professores estaduais

Pai diz, na nota de desagravo, que sua gravação em 2019 foi "uma reação descabida, injusta e exagerada ao exercício legitimo do direito dos professores e professoras da rede estadual de se manifestarem e de realizarem greve contra a reforma da previdência, que como já era antecipado pela categoria, tanto os afetaria". 
Foto: Fabrício Santos/Sinte Laguna

Um morador de Laguna teve de fazer uma retratação pública por críticas feitas aos professores estaduais após ser acionado judicialmente pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina – Regional de Laguna (Sinte-SC). No começo da semana, as partes entraram em acordo para não dar prosseguimento à ação, em trâmite desde 2019. Além do desagravo, duas cestas básicas serão pagas pelo homem e doadas à uma entidade filantrópica da cidade.

O processo do Sinte foi iniciado após o morador, pai de estudante da escola Comendador Rocha, ter publicado um vídeo em uma rede social, onde proferia críticas aos professores do colégio e da rede estadual por terem paralisado suas atividades. Naquele ano, os educadores cruzaram os braços e participaram de atos estadualizados em resposta à proposta de reforma previdenciária apresentada pelo governo, e vista como prejudicial à classe. No colégio, houve adesão de quase totalidade do corpo docente, o que levou a direção a suspender as aulas, em virtude disso.

Para o professor Rudmar Corrêa, presidente da entidade sindical, a retratação é vista como uma “vitória”, face às críticas recebidas. “Não foi um caso isolado, e não será o último. Enquanto Sinte, estamos satisfeitos e queríamos que isso ceifasse, pois não fazemos greves só por salários. Fazemos greve por melhores condições de trabalho, condições da escola, e a cada movimento dos professores, são feitos ataques de todos os lados”, comenta o educador.

O vídeo com a retratação foi divulgado no perfil do homem e replicado na página do sindicato. O pai diz, na nota de desagravo, que sua gravação em 2019 foi “uma reação descabida, injusta e exagerada ao exercício legitimo do direito dos professores e professoras da rede estadual de se manifestarem e de realizarem greve contra a reforma da previdência, que como já era antecipado pela categoria, tanto os afetaria”.

“Naquela oportunidade, diferentemente do que eu insinuei, os professores e professoras não ficaram em casa, eles estavam presentes em atos organizados com o propósito de tentar fazer pressão contra a Reforma da Previdência”, disse em outro trecho. O acordo firmado entre o Sinte e o morador de Laguna aguarda homologação para oficializar o encerramento e arquivamento da ação judicial. “A retratação foi importante. Todo mundo hoje acha que pode falar o que bem entende, quem sabe isso provoque uma reflexão”, finaliza Corrêa.