Editorial: Falha para a história

"A comunicação evoluiu. Ela não se baseia só no ontem, vive o hoje. Deixou o passado para viver no gerúndio, informa o que acontece agora. O município de Laguna, porém, não se atualizou totalmente. Em um mundo cada vez mais ágil e digitalizado, a prefeitura perdeu a chance de ter um momento histórico noticiado. O ato de entrega das chaves, do primeiro contato, ficou restrito"
Foto: Divulgação/Prefeitura de Laguna
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LAGUNA VIVEU UM MOMENTO HISTÓRICO para a sua economia comercial. Após quase dez anos fechado, foi dado o primeiro passo oficial para que o Mercado Público seja reaberto e a população lagunense se reencontre com a edificação, que para muitos é considerada como o coração do Centro Histórico.

Os condôminos – os oito que participaram das licitações de 2020 e 2021 – receberam as chaves de seus boxes e assinaram o contrato com a prefeitura. Terão 20 anos para desenvolver seus empreendimentos. A cidade anseia pela abertura do Mercado Público. Por isso, este foi um momento verdadeiramente histórico.

Mas a imprensa, que é um dos principais elos entre o poder público e a população que consome as notícias, não foi convidada. Infelizmente. Perde-se a chance de se produzir registros que vão servir de base para contar a história na próxima década, no próximo século. As impressões dos condôminos, as expectativas da prefeitura, os planos para o Mercado. São eixos que poderiam embasar uma matéria jornalística.

A comunicação evoluiu. Ela não se baseia só no ontem, vive o hoje. Deixou o passado para viver no gerúndio, informa o que acontece agora. O município de Laguna, porém, não se atualizou totalmente. Em um mundo cada vez mais ágil e digitalizado, a prefeitura perdeu a chance de ter um momento histórico noticiado. O ato de entrega das chaves, do primeiro contato, ficou restrito.

O jornalismo vai além de noticiar. Cobra, elogia, questiona, divulga. E, sim, informa o que é positivo. Afinal, o dia não é feito só de notícias ruins. A imprensa também não sobrevive de material pronto, assessorias são facilitadores, não são a única voz.

Numa época de pandemia, em que as pessoas ainda seguem receosas com as aglomerações e protocolos sanitários, o papel do jornalista foi elevado ao extremo para servir de porta-voz para divulgar momentos em que o público não pode participar presencialmente. Nesta quarta-feira, isso poderia ter acontecido. Mas não ocorreu.

Em uma cidade histórica, a história foi vivida por poucos.