Carta de estudante, que lamenta perda de Anita e conta novidades, vence concurso de TV

NSC TV lançou o concurso em agosto para celebrar o bicentenário de Anita Garibaldi e incentivar a produção textual dos estudantes do 3º ano do ensino médio das escolas da região, a partir do tema "O que você diria a Anita Garibaldi no seu bicentenário?".
Divulgação
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A estudante Beatriz Soares, da escola Lino Pessoa, de Tubarão, foi a vencedora do concurso de redação ‘Cartas para Anita’, promovido pela NSC TV, de Criciúma. A informação foi divulgada, nesta segunda-feira, 27, pela assessoria da emissora.

O canal lançou o concurso em agosto para celebrar o bicentenário de Anita Garibaldi e incentivar a produção textual dos estudantes do 3º ano do ensino médio das escolas da região, a partir do tema “O que você diria a Anita Garibaldi no seu bicentenário?”.

A carta de Beatriz (leia ao fim do texto) recebeu o maior número de votos, 8.497. No texto, a estudante lamentou a morte da heroína ainda jovem. “Sua ida precoce foi uma grande perda”, escreveu. Como premiação, a tubaronense receberá um notebook.

Além dela, as outras finalistas foram Maria Eduarda Virgílio e Flávia de Souza. As alunas ficaram com 24,88% e 23,32% dos votos, respectivamente. Ao todo o concurso recebeu 16.403 votos, segundo a TV.

Leia a carta

Querida Anita Garibaldi,

Chamo-me Beatriz, sou uma jovem de Tubarão, cidade da região onde viveste e lutaste. Nesse mês, nossa região comemora o seu bicentenário. Sendo assim, escrevo-lhe para lhe contar como tem sido as coisas desde sua partida e os modos pelos quais as pessoas ainda se lembram de ti.

Começo com boas notícias: em 1889, o Império caiu e foi proclamada a República no Brasil! Se estivesses viva nessa época, terias 68 anos e imagino que seus olhos se encheriam de lágrimas ao ver um dos ideais da Revolução Farroupilha finalmente se concretizando: a instauração da República.

Atualmente, em Laguna, há o Museu Casa de Anita, que documenta a sua vida, suas batalhas e sua saga de amor e guerra ao lado de Giuseppe. Não tens noção de como é uma casa linda! É possível sentir sua energia naquela casa. Em Roma, na Itália, foi construído um monumento em sua homenagem. Uma estátua do momento em que fugistes dos imperiais a cavalo, com um filho em uma de suas mãos e a pistola em outra. Há, também, canções sobre a sua pessoa, que são cantadas em festas e celebrações gaúchas, e inúmeros livros, desde os de história até os infantis, que registram e mantêm viva a sua jornada. Que mulher incrível você foi!

Em uma época em que ser mulher significava ser submissa, tu desafiaste este papel que a sociedade lhe impôs com rebeldia, indo à frente do seu tempo e dos campos de batalha. Não te conformaste com o casamento forçado, nem com as injustiças do Brasil Império, e navegaste em um mundo dominado por homens como uma caravela em mar revolto. Eu me lembro de ter lido um livro sobre sua pessoa quando criança e ficar maravilhada com as ilustrações de uma mulher guerreira, heroína, e isso me inspirou a querer ser também uma mulher forte.

É uma pena que tenhas morrido tão jovem. Sua ida precoce foi uma grande perda, não apenas para seu marido e sua família, mas também para o mundo. Em apenas vinte e sete anos de vida, lutaste em duas revoluções, foste símbolo de força e coragem feminina, mostraste ao mundo do que nós, mulheres, somos capazes. Podemos apenas sonhar com o que sua mente afiada e seu coração valente poderiam ter ainda feito. Mas saiba que sua breve estadia no mundo deixou uma grande marca histórica: seu espírito continua vivo na história de Laguna e da Itália, na luta dos campos de batalha e na luta das mulheres. Para sempre, a heroína de dois mundos.

Carinhosamente, Beatriz Soares