Farol como elo entre passado e futuro

Esta quinta-feira, 19, marca o Dia Mundial da Fotografia, uma homenagem ao dia em que ocorreu a apresentação pública do daguerreótipo, equipamento que evoluiu até chegar nas câmeras fotográficas digitais atuais.
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Olhar para uma fotografia é voltar ao passado. Relembrar um momento. Rever um ente querido. Fazer fotos pode ser uma brincadeira, como também um trabalho sério. É a arte de congelar um momento e perpetuá-lo através da centenária técnica de desenhar com a luz. Esta quinta-feira, 19, marca o Dia Mundial da Fotografia, uma homenagem ao dia em que ocorreu a apresentação pública do daguerreótipo, equipamento que evoluiu até chegar nas câmeras fotográficas digitais atuais.

Mas ao mesmo tempo em que a foto evolui, a conservação de registros históricos se faz necessária. Não só como uma forma de conhecer a história dos povos fotografados, mas entender e perceber a mutação tecnológica provocada pelo desenvolvimento da técnica fotográfica. Em Jaguaruna, município vizinho à Laguna, o neto de um pioneiro começou a fazer esse resgate.

Contemplado com recursos do edital de incentivo Elisabete Anderle, o projeto Gentil Memória começou a sair do papel neste ano. Guilherme Reynaldo cresceu com a tradição da fotografia no sangue, herdada do avô, Gentil, que iniciou a fotografar aos 18 anos e deixou mais de 50 mil negativos de fotos que preservam momentos culturais, políticos, esportivos, religiosos, trágicos, cotidianos – a vida de Jaguaruna e da região lagunar.

“Ele formou um grande patrimônio histórico aqui da nossa região e o que é o patrimônio histórico? É uma base de dados cultural e tradicional. É ali que vamos pesquisar o que acontecia e como acontecia para conseguirmos entender o contexto do que a gente vive hoje. Se a gente não tem um passado, se a gente não sabe de onde veio, a gente não consegue projetar um futuro. E por isso é importante preservar isso para a sociedade”, justifica Guilherme.

A proximidade com Laguna faz com que alguns registros da cidade, ou melhor, da região da ilha apareceram volta e meia no meio das centenas de negativos que estão em fase de limpeza, catalogação e digitalização. Há o ônibus que fazia a linha Jaguaruna e Laguna, um veículo aconchegante para a década de 1950. Tem o encalhe do Malteza S, em 1979 – aliás, uma série deles, já que Jaguaruna é conhecida como um “cemitério de navios”, devido ao grande número de embarcações que se perderam na localidade. Entre as imagens tem cliques do Farol de Santa Marta.

“O mais interessante é que a gente consegue acompanhar uma evolução. Tem várias fotos no decorrer dos anos 1940, 1950, 1960. Me lembro de uma foto da prainha vista do Morro do Céu que no começo só tinha alguns galpões, casinhas”, exemplifica o idealizador do projeto.

Foto: Kamila Melo/Ascom Gentil Memória/Divulgação

Elo entre passado e futuro

Para contar uma história, há vários personagens. O foco desta que trata do Dia da Fotografia usa o Farol de Santa Marta. Erguido em 1891, portando há 130 anos, a estrutura centenária utiliza vários tipos de tecnologia para garantir a segurança marítima. A fotografia também se vale das evoluções tecnológicas para garantir registros mágicos.

“Fotografar é desenhar com a luz. Amo a fotografia. Amo o meu trabalho. Digo que não gosto de trabalhar, mas sim de fazer o que eu gosto”. A fala é de Ronaldo Amboni, fotógrafo lagunense. Numa madrugada, ele clicou 69 registros intervalados do farol iluminado. Com uso da tecnologia, dos programas de edição, juntou cada um deles e o resultado foi esse que ilustra a reportagem: foi possível capturar, eternizar o movimento rotacional da terra. As estrelas riscaram a imagem em modelo circular. É uma das fotos que mais tocaram o profissional.

Amboni quando criança ia muito ao farol e viu ao longo dos anos a visitação ser suspensa. Tinha um desejo de voltar lá e conseguiu realizá-lo de uma forma mais que especial. Há alguns anos, ele iniciou o projeto de registrar alguns pontos da cidade e disponibilizar na internet como visitação virtual em tour 360º graus. A centenária estrutura foi a mais recente. “Para mim, fazer o tour do farol foi a realização de um sonho”, comenta ele.

Convidado a analisar e comentar o projeto de resgate de Jaguaruna, o lagunense, que tem um ateliê e em um dos cantos expõe várias câmeras antigas (uma do início do século passado), ficou contente pela iniciativa. “Dou muito valor aos fotógrafos antigos, pois eles batiam e não tinham resultado na hora. Tinham que ter o dobro do nosso conhecimento e alguns não entraram na era digital”, comenta.

Foto: Ronaldo Amboni

Mostra cultural expõe Jaguaruna

Os primeiros resultados do projeto serão expostos à comunidade através da Mostra Gentil Memória, que será realizada entre os dias 27 de agosto e 24 de setembro, no Clube 1 de Janeiro, em Jaguaruna. O projeto, segundo sua assessoria, ainda acerta os detalhes da exposição, que deverão ser divulgados na próxima semana. Mas parte do material resgatado pode ser conferido no Instagram @gentilmemoria. “Nosso trabalho é o pontapé. Falta bastante coisa para encontrar e vamos encontrar ainda”, assegura Guilherme, sobre o futuro.

Tour virtual permite acessar detalhes

O tour dá a sensação de que a pessoa está mesmo no Farol, podendo ver detalhes dos cristais, escadarias e a vista panorâmica da comunidade de entorno. Não são só os cliques que impressionam, os números também. Para produzir, Amboni fez 850 fotografias de cada ponto do Farol em um manhã inteira, e levou 12 horas para editar cada imagem. Para acessar, clique aqui.

Foto: Gentil Reinaldo/Acervo de Família/Projeto Gentil Memória

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