Samir Ahmad deve deixar PSL após desfiliação do governador Carlos Moisés

Para o prefeito, mudar para o futuro partido do governador é uma forma de manter a boa conexão da cidade com o governo estadual.
Foto: Elvis Palma/Agora Laguna
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Após a saída do governador Carlos Moisés do Partido Social Liberal (PSL), anunciada no último sábado, 10, o prefeito de Laguna, Samir Ahmad, deve seguir o mesmo rumo e migrar para outra legenda.

Em entrevista ao Café com prefeito, da Rádio Difusora, nesta segunda-feira, 12, o chefe do Executivo reafirmou sua fidelidade a Moisés e que “vê com bons olhos” a desfiliação. Para o prefeito, mudar para o futuro partido do governador é uma forma de manter a boa conexão da cidade com o governo estadual.

“Em respeito à população de Laguna e a tudo que nós temos a ganhar com esse governo, não tenho dúvida que sou obrigado a acompanhar o governador”, afirmou. “Fomos eleitos para transformar o nosso município e para isso, estamos alinhados ao governador Carlos Moisés. Ele praticamente abriu todas as portas para Laguna para fazer essa transformação. Então, eu não posso, em hipótese alguma de deixar de estar ao lado do governador fazendo esse movimento [de trocar de partido]”.

Moisés se filiou ao PSL em 2018 e foi alçado de última hora à candidatura de governador. Eleito com 71% dos votos, empurrado pelo fator Bolsonaro (que também deixou o partido, em 2019), o governador enfrentou rachas internos no partido e chegou a medir forças com parlamentares mais ligados à ala bolsonarista.

A desfiliação acontece após uma nova divergência, agora com o deputado federal Fábio Schiochet, presidente da sigla em Santa Catarina e que esteve ao lado do governador em vários momentos. “O governador e o presidente do partido não estavam alinhados, o que infelizmente não é bom para ninguém”, comentou Ahmad ao Portal Agora Laguna. A decisão de se desfiliar não deve acontecer tão cedo, mas será informada em breve à direção estadual da legenda, o que inclui também uma conversa com Schiochet.

Segundo Ahmad, não há definição de qual deve ser o novo partido ou prazo para que seja feita a mudança. Antes de ir para a legenda social liberal, o atual prefeito estava no PP e trocou de partido por influência do governador. O Progressistas é uma das legendas cotadas para abrigar o mandatário estadual, embora sem confirmação oficial por ambas as partes.

Já em Laguna, Mário Bongiolo, presidente do partido e chefe do gabinete do prefeito, garante que o PSL local irá apoiar qualquer decisão vinda de Ahmad. “A nossa meta é o desenvolvimento e o crescimento de Laguna. Independente da decisão do prefeito, o partido vai continuar fazendo parte da gestão e apoiando o prefeito Samir onde ele estiver”, afirmou ao Portal.

Mudança de partido não deve causar perda de mandato

Caso Samir Ahmad mude de partido, a migração não trará prejuízos legais ao seu mandato de prefeito. Na legislação eleitoral, o presidente da República, governador, senador, prefeito e seus vices, são os únicos políticos eleitos imunes à perda do cargo por mudança partidária.

A situação é totalmente inversa para os vereadores e deputados, por exemplo. A lei entende que o “dono do mandato” é o partido e não o eleito. Nesse caso, uma desfiliação no decorrer da legislatura, enquadra o político na chamada infidelidade partidária e pode fazê-lo perder o cargo. A única brecha para migração sem prejuízo é a janela partidária que se abre entre março e abril no ano eleitoral.

Na cidade juliana, o PSL detém a maior bancada com quatro vereadores (Kleber Roberto Lopes, Gustavo Cypriano, Eduardo Carneiro e Luiz Otávio Pereira).

Lopes declarou ao Portal que seguirá Moisés. “Onde o governador for, eu vou junto”, disse o vereador. Pereira disse que mantém fidelidade ao projeto que levou Ahmad à cadeira de prefeito. “Nossa pretensão é estar junto nesse projeto que, assim como eu, visa o desenvolvimento coletivo de nossa Laguna. Estaremos conversando com nossas lideranças, mas não pretendo deixar de continuar dentro do nosso projeto político que teve início anos atrás”, explicou. Cypriano e Carneiro não retornaram os questionamentos enviados pela reportagem até 16h30, desta segunda.

Mudanças partidárias não são novas na política lagunense

No começo dos anos 1990, o vice-prefeito Zeno Alano Vieira deixou o PMDB por divergências internas para migrar para o PDT. Concorreu a prefeito em 1992, e não chegou a ser eleito.

Já em 2001, Adilcio Cadorin migrou para o antigo PFL (hoje, Democratas) após conversas com a direção estadual e nacional da legenda, que a época fazia parte do governo federal. O PFL era o partido de Marco Maciel, vice-presidente de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Aderbal Zapelini Mendes foi eleito vice-prefeito pelo PTB em 2004, na chapa com Célio Antônio (PT). No decorrer do mandado, foi para o PSDB e tentou a reeleição, porém pela coligação de Mauro Candemil (MDB), e não conseguiu o novo mandato. A última mudança partidária no paço municipal durante o mandato ocorreu em 2015. A vice-prefeita Ivete Scopel deixou o PSD para se filiar ao PSB.

Prefeitos da região estudam movimentos pós-desfiliação

O PSL tem o comando de 17 prefeituras em Santa Catarina. Na região da Amurel, além de Samir Ahmad, há mais três prefeitos filiados ao partido: Patrick Corrêa, em Imaruí; e Vicente Costa, em Capivari de Baixo.

“Estamos aguardando posicionamento do governador e [depois] vou conversar com a base do município”, afirma o prefeito capivariense. O chefe do Executivo de Imaruí não retornou as mensagens enviadas pelo Portal até 16h30.

PSL estadual esperava desfiliação desde novembro

Em entrevista ao Notícias do Dia, de Florianópolis, Fábio Schiochet afirmou que havia um distanciamento do governador com a sigla e que já era esperada sua saída desde novembro de 2020, porém, não ocorreu uma comunicação prévia de que isso ocorreria, de fato. “Considero Moisés [um] grande amigo meu, mas em nenhum momento ele falou: estou saindo do partido”, disse ao jornal, afirmando ainda, que sua meta, agora, é manter o PSL unido.

Ao mesmo jornal, o deputado estadual Felipe Estevão, integrante da chamada “ala bolsonarista” e que mantém nítida distância do chefe do Executivo, disparou que Moisés teria abandonado as bandeiras de campanha nos primeiros meses de governo e o próprio partido. Segundo o parlamentar, a sigla é dividida atualmente em três alas: aqueles que estão com o presidente do partido; os que estão com o governador e aqueles que estão com Bolsonaro.

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