Trajetória de padre que estudou sambaquis de Laguna vira livro

Em Laguna, João Alfredo Rohr esteve em sambaquis como os de Cabeçuda e da Carniça, reduzidos pela exploração caieira – prática proibida após intensa luta. As conchas que formavam os amontoados pré-históricos, eram usadas como matéria-prima para a fabricação do cal, produto muito utilizado na construção civil.
Padre Rohr e Luiz Castro Faria em sambaqui em Laguna, em 1964. Foto: Acervo Castro Faria/Reprodução
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Durante mais de 40 anos, o padre João Alfredo Rohr se dividiu entre a vida religiosa de sacerdote e a arqueologia. Suas pesquisas em solo catarinense ajudaram no desenvolvimento e detecção de um acervo arqueológico, tombado nacionalmente em 1986. Essa trajetória foi resumida em um livro, que começou a ser distribuído às bibliotecas do país pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A publicação também pode ser lida em formato digital.

“João Alfredo Rohr, ou Padre Rohr, como é conhecido, tanto no meio acadêmico como nas comunidades e cidades por onde passou, exerceu papel fundamental na consolidação da arqueologia catarinense. Percorreu todo o estado e mapeou centenas de sítios arqueológicos, foi pioneiro em levar a importâncias da arqueologia para as comunidades mais isoladas de nosso estado, pescadores, agricultores, doutores, caieiros, professores, etc. Por onde o padre passou não tinha pessoa que não conhecia o tema ‘arqueologia'”, descreve o arqueólogo Alexandre Demathé.

Em quase 230 páginas, que copilam sete artigos, a obra resgata esse caminho percorrido pelo sacerdote como arqueólogo e pesquisador, bem como registra suas ações de fiscalização para a preservação dos sítios arqueológicos e campanhas junto à sociedade para incentiva e falar da importância da preservação do patrimônio cultural. Hoje, as pesquisas feitas por ele, são bases para novas descobertas, gerando interpretações e ampliando a produção e expansão do conhecimento.

Nos anos 1960, Rohr esteve estudando sambaquis como os de Cabeçuda, Galheta e da Carniça, em Laguna, reduzidos pela exploração caieira – prática proibida após intensa luta. As conchas que formavam os amontoados pré-históricos, eram usadas como matéria-prima para a fabricação do cal, produto muito utilizado na construção civil.

“Essa década foi um marco para arqueologia no Brasil, com o surgimento de vários nomes importantes, entre eles o Padre João Alfredo Rohr em Santa Catarina. Na luta para a preservação de nosso patrimônio histórico, ele foi um nome expressivo não só para Santa Catarina, mas para o Brasil. Seu legado e suas pesquisas são destaques até hoje na salvação e preservação de nossa memória”, aponta a professora de História, Ana Christina Gutierres Kieling.

“Alguns diziam que era temido e muito respeitado, ou pela batina ou pela austeridade, mas foi o seu vasto conhecimento e amor pela causa arqueológica que gravou o seu nome como um dos mais importantes arqueólogos do século XX, deixando um importante legado científico para as futuras gerações, principalmente de Santa Catarina”, analisa Demathé. Na capital Florianópolis, o Museu do Homem do Sambaqui permite que o público confira, com mais detalhes, o legado mais conhecido de sua obra.

O livro foi feito com a colaboração dos autores: Andreas Kneip, Andreia Considera, Bruna Cataneo Zamparetti, Deise Scundenick Eloy de Farias, Geovan Martins Guimarães, Margareth de Lourdes Souza, Mercedes Okumura e Roberta Porto Marques. Já a organização foi feita pelas servidoras do Iphan, Liliane Janine Nizzola, Margareth de Lourdes Souza e Roberta Porto Marques, e a coordenação editorial foi feita pela também servidora da autarquia, Regina Helena Santiago. O prefácio é assinado pelo ex-governador de Santa Catarina e ex-aluno de Rohr, Espirdião Amin (PP).

“A compreensão e apropriação do patrimônio arqueológico brasileiro se dá por meio de ações que viabilizem a fruição dos sítios, acervos e demais bens de caráter arqueológico nas suas mais diversas formas. Exemplo disso é esta publicação, que permite a extroversão do conhecimento gerado pelo arqueólogo João Alfredo Rohr, precursor da arqueologia catarinense, com mais de noventa publicações e significativo acervo oriundo de seus trabalhos em Santa Catarina”, pontua Liliane, uma das organizadoras e superintendente do Iphan no estado. Padre Rohr nasceu em Arroio do Meio (RS) em 1908 e morreu em Florianópolis, em 1984, aos 76 anos de idade.

Padre Rohr, em entrevista, em 1971. Divulgação

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