Estudantes de Cabeçuda usam cartas para agradecer profissionais da saúde

Nesta sexta-feira, 30, a carta da jovem e a de seus colegas foram entregues aos profissionais da linha de frente do Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos e do centro de triagem da prefeitura. Para a entrega, realizada pelos educadores Joice de Souza e Joabe Corrêa e o diretor Iliomar Bitencourt, foi montado um varal e uma mesa com mini bolos para cada funcionário.
Foto: Joice de Souza/Arquivo pessoal
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De que forma agradecer ao bravo trabalho prestado pelos profissionais da saúde diante da pandemia do novo coronavírus? Esse foi o ponto de partida para o projeto interdisciplinar “Sempre é bom agradecer: gratidão à saúde”, iniciativa desenvolvida com as turmas de 1º e 2º ano do Novo Ensino Médio, da escola Saul Ulysséa, de Cabeçuda.

A resposta para a missão foi encontrada na disciplina de História, unida aos ensinamentos de Língua Portuguesa. “Estávamos trabalhando o gênero textual carta como fonte histórica escrita e pensamos na possibilidade de integrar o conteúdo com um agradecimento aos profissionais da saúde que estão na linha de frente. Nossos alunos abraçaram a ideia, se engajaram e o resultado foi pura emoção e sensibilidade”, comenta a educadora Joice de Souza Avelina Costa, à frente da disciplina de História.

Ela e Joabe Corrêa foram os professores que encabeçaram essa ideia e trabalharam com os alunos. “Diante de um cenário tão amedrontador esses guerreiros vestidos de branco mantém-se firmes, mostrando sua determinação, comprometimento com a profissão que escolheram e com a sociedade. O projeto foi uma forma de agradecer”, completa o docente de Língua Portuguesa.

Foram cerca de 80 estudantes envolvidos na proposta. Lara Camilo, 16 anos, foi uma delas. “Quando a professora apresentou o projeto pra gente, ficamos muito entusiasmados com a possibilidade de demonstrar a nossa gratidão a esses profissionais”, revela a jovem, que está no 2º ano e atualmente deseja seguir carreira como médica-veterinária ou psicóloga. “Nas cartas, colocamos todo nosso carinho e admiração, que devido a pandemia não podemos manifestar de perto. Foi incrível fazer parte disso”, completa a aluna.

Nesta sexta-feira, 30, a carta da jovem e a de seus colegas foram entregues aos profissionais da linha de frente do Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos e do centro de triagem da prefeitura. Para a entrega, realizada pelos dois educadores e o diretor Iliomar Bitencourt, foi montado um varal e uma mesa com mini bolos para cada funcionário, em um espaço usado como auditório pelo hospital.

“Gratidão e empatia. Eles escreveram cartas de próprio punho e, de hoje até amanhã [sábado, 1º], os profissionais vão ir até lá para retirarem as cartinhas”, comenta a administradora da casa hospitalar, Cheyenne Andrade. “Os profissionais da saúde expressaram grande agradecimento. Apesar do equipamento de proteção individual, foi possível notar um sentimento positivo que transcendia em seus olhares”, observa Corrêa.

Foto: Joice de Souza/Arquivo pessoal

Projeto une escola

O projeto interdisciplinar não se resume às duas matérias, também une os demais componentes curriculares da grade escolar. E foi além, conseguiu fazer, com que outros integrantes da equipe do colégio se juntassem. Além de provocar o despertar da empatia e da gratidão para com os profissionais que têm arriscado suas vidas no enfrentamento da pandemia, a proposta desenvolvida pela escola também se tornou um mecanismo difusor da importância das medidas de prevenção e da vacinação.

De acordo com Corrêa, o próximo passo do projeto será uma palestra na escola com o médico Gabriel Scalon, diretor-técnico do hospital de Laguna, prevista para acontecer na próxima terça-feira, 4, pela manhã. “Os alunos também irão criar paródias, posts, flyer, e fazer análise de dados da vacinação no município e criação de gráficos”, antecipa Joice.

Ensino híbrido e escola polo

Com 96 anos, completados no início do mês, a escola de Cabeçuda faz parte da rede estadual e tem atuado no sistema híbrido de ensino. Parte dos alunos fica em casa com aulas remotas e a outra recebe lições em sala de aula, sempre com revezamento semanal, definido pelo colégio. “Foi um grande desafio. Em pouco tempo nós alunos e os professores tivemos que nos adaptar com uma realidade totalmente nova, já que estamos habituados com caneta e papel nas mãos, e ouvidos bem atentos na explicação”, revela Lara.

Para a estudante, a parte mais difícil nesse processo pandêmico foi a ausência de materiais que ajudassem no pleno desenvolvimento do ensino virtual. “[Agora com] O ensino híbrido tem sido muito eficaz, pois na semana que estamos na escola absorvemos todo o conteúdo e tiramos as dúvidas diretamente com os professores, e na semana em casa fazemos as atividades propostas. Nossos professores são muito dedicados e atenciosos”, analisa.

O Saul Ulysséa passou por uma nova ampliação entre os anos de 2014 e 2016, permitindo ao educandário que receba um grande número de estudantes. Essa estrutura mais ampla fez com que a Coordenadoria Regional de Educação (CRE) indicasse a escola para ser o polo regional de ensino. “São atendidos até 3,5 mil alunos somente remoto e temos muito orgulho de estar sediando a escola polo”, diz Bitencourt.

Na definição do governo do Estado, o polo é uma unidade escolar virtual que sediará o Núcleo de Atendimento Remoto aos estudantes que são grupo de risco, ou cujas famílias optaram pelo modelo 100% remoto. Cada escola polo congrega estudantes de unidades escolares próximas. Com objetivo de não sobrecarregar os professores titulares das turmas, foram contratados professores ACTs para lecionar no núcleo. No ensino híbrido, há pouco mais de 600 estudantes cadastrados.