Boto-pescador: 25 de maio chama atenção para preservação da espécie

Data foi instituída em 2017, através de um projeto de lei montado por estudantes da escola Ana Gondin, dentro da ação do Parlamento Mirim, e que virou lei, após ser levada ao plenário pelo deputado José Milton Scheffer (PP).
Foto: Elvis Palma/Agora Laguna
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on email
Share on telegram

 1,544 visualizações,  8 views today

No calendário, uma terça-feira como qualquer outra. Mas para Santa Catarina, hoje é o Dia Estadual de Preservação do Boto-pescador. A data foi instituída em 2017, através de um projeto de lei montado por estudantes da escola Ana Gondin, dentro da ação do Parlamento Mirim, e que virou lei, após ser levada ao plenário pelo deputado José Milton Scheffer (PP).

Esse é só mais um dos reconhecimentos legais em volta da espécie boto-pescador (T. truncatus). Desde 1993, as lagoas do município são consideradas santuários ecológicos para esses mamíferos e a partir de 1997, são patrimônios naturais da cidade juliana. Título maior, porém, veio em 2016, com a conversão de Laguna em capital nacional do boto-pescador. Dois anos depois, os pescadores foram agraciados com o certificado de registro da pesca com a auxílio dos inteligentes animais como patrimônio imaterial de Santa Catarina.

“Sabemos que preservar os botos-pescadores é um tema complexo, pois são inúmeros fatores que fragilizam esses seres tão importantes para o ecossistema lagunar. Porém, não seria uma lei que por si só resolveria os problemas; cabem aos gestores municipais, de forma multidisciplinar e interconectado, desenvolver programas e projetos contínuos para o êxito. Educação ambiental, patrimonial e assistência social aos pescadores artesanais são políticas urgentes e suas implementações necessárias, como projeto de Estado e não de um só governo”, comenta o patrimonialista cultural, Wellington Linhares.

Linhares tem trabalhado nos últimos anos no fortalecimento da preservação cultural da pesca e buscado mecanismos formais que garantam o amparo legal para a manutenção dessa tradição, mais que centenária. Recentemente, idealizou o site pescacombotos (saiba mais) que consiste em uma plataforma de divulgação cultural e também de um elo entre população e órgãos fiscalizatórios, para recebimento de denúncias de situações prejudiciais à pesca.

Há pouco mais de duas semanas, o movimento Boto Vivo, uma iniciativa criada em 2018, implantou totens informativos em diversos pontos da cidade e também na Assembleia Legislativa, em Florianópolis. Lá na região da Tesoura, onde ocorre a interação boto e pescador, cruzes foram colocadas de maneira a homenagear os animais que morreram nos últimos anos.

“As datas comemorativas foram criadas para lembrar as pessoas de algo marcante na nossa história, seja como homenagem ou uma conquista importante. Acredito que o dia do boto-pescador envolve tanto uma homenagem como uma conquista. Serve para lembrar a sociedade do nosso compromisso com esta população de botos; para refletir sobre estes indivíduos que representam uma das mais belas interações entre homens e animais. Ter uma data própria significa a constante e contínua atenção e vigilância para que esta relação continue sendo uma marca do Brasil, de Santa Catarina e de Laguna”, complementa o professor Pedro Wolkmer de Castilho, coordenador do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP) da Bacia de Santos.