‘Abraço a missão com muita vontade’, diz Júlia Luz, 1ª bombeira militar da história do quartel de Laguna

Questionada sobre a presença feminina na corporação, a soldado ressalta que, excluindo alguns pontos organizacionais, em matéria de serviço, o trabalho é o mesmo. "Está cada vez mais técnico e profissional, onde é necessário a capacidade técnica, o estudo. Tanto homem, quanto mulher, são plenamente capazes de desempenhar essa função. A garra e a dedicação são as mesmas. Não muda em nada; desde que sejam capacitados e queiram exercer essa profissão", ressalta.
Foto: Luís Claudio Abreu/Agora Laguna
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Apesar de a máscara, item de proteção indispensável na luta contra o coronavírus, esconder metade do rosto, era possível notar a alegria de Júlia de Oliveira Luz. E há motivo especial para isso. Nesta segunda-feira, 31, a soldado do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) começou a atuar no quartel de Laguna e um detalhe: ela é a primeira bombeira militar na história da corporação no município.

Júlia é catarinense de Florianópolis e há três anos ingressou na corporação, formada no curso de soldados do batalhão de Tubarão. Com a conclusão das aulas e uma vez inserida nos quadros operacionais foi deslocada para atuar em Benedito Novo, uma cidade com pouco mais de 11 mil habitantes e que fica a 182 quilômetros de sua terra natal.

A vinda dela para Laguna atende a um desejo de ampliar o efetivo da corporação, atualmente formado por 17 bombeiros militares e cerca de 60 comunitários, sendo que uma parte é formada por mulheres. “Considero que sim, é muita responsabilidade, mas me sinto bem capacitada para essa missão. Fui bem treinada e, com certeza, vou abraçar essa missão com muita vontade”, afirma.

Durante a entrevista ao Portal Agora Laguna, a militar demonstrou possuir uma paixão por atuar na profissão, secularmente restrita a bombeiros homens e que vem passado nas últimas décadas por uma evolução para incluir também as profissionais femininas. Na cidade, a nova a nova integrante do quartel vai atuar em ocorrências de rua, seja no caminhão ou na ambulância, passou o primeiro dia conhecendo as instalações e entendendo o funcionamento das viaturas operacionais. Em pouco tempo, já atendeu a um chamado, mas sem maior gravidade.

Questionada sobre a presença feminina na corporação, a soldado ressalta que, excluindo alguns pontos organizacionais, em matéria de serviço, o trabalho é o mesmo. “Está cada vez mais técnico e profissional, onde é necessário a capacidade técnica, o estudo. Tanto homem, quanto mulher, são plenamente capazes de desempenhar essa função. A garra e a dedicação são as mesmas. Não muda em nada; desde que sejam capacitados e queiram exercer essa profissão”, ressalta.

Júlia também deixa um recado para aquelas que têm desejo de fazer parte de uma força de segurança como o Corpo de Bombeiros. “Estude, pois vale muito a pena. A profissão é gratificante. Venho trabalhar feliz e privilegiada por fazer parte desta corporação, que é tão bem vista pela sociedade. Sinto que estou fazendo parte de algo maior pela sociedade. Estude, é realmente compensador”, pontua.

Reencontro

Ao chegar no quartel de Laguna, a soldado encontrou um velho conhecido. Comandante da corporação há quase três anos, o tenente Henrique Schuelter Nunes foi instrutor de Júlia no curso de formação em Tubarão.

Para o oficial, reencontrar a ex-aluna é uma “grande alegria”. “Convivi durante todo o processo de formação, conheço bem, é uma profissional capacitada e o fato de ser a primeira bombeiro feminina, em relação ao serviço não altera em nada, mas é um fato marcante. Principalmente por estarmos na cidade que tem uma heroína como Anita Garibaldi, e agora temos outra, a soldado Júlia”, diz Schuelter. “Tenho certeza que ela vai fazer um excelente serviço aqui durante a carreira, independente do tempo que permanecer”.

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