Obras do sistema de esgoto de Laguna recuperaram quase 3,8 mil objetos históricos

São objetos que remontam à época do antigo mercado (de 1897), do porto e a estação que funcionavam no Centro da cidade.
Divulgação/Casan
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Mais de trezentos anos de história estão sendo revisitados. As obras do sistema de esgotamento sanitário de Laguna revelaram muitos objetos esquecidos dessa trajetória tricentenária, escondia sob os nossos pés. Ao todo, foram 3.795 peças recuperadas.

São correntes de tamanhos e formatos diferentes, trilhos de trem, artefatos de madeira, ferramentas rústicas usadas provavelmente para a construção da ferrovia, objetos de cavalaria, cordas, louças de origem europeia, fragmentos cerâmicos, e de ossos de animais, além de uma âncora com pouco mais de 2 metros de haste e 1,5 metros de braço. Objetos que remontam à época do antigo mercado (de 1897), do porto e a estação ferroviária que funcionavam no Centro da cidade.

O resgate foi feito pela empresa Sapienza Arqueologia e Gestão do Patrimônio e as peças submetidas a ações de higienização, dessalinização e catalogação e levadas para guarda do Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia (Grupep) da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), em Tubarão. Durante essa etapa, a empresa ANX Engenharia e Arqueologia, que fez a curadoria, detectou que devido ao grande volume e elevado grau de desgaste de algumas peças era recomendado o enterro de parte do material, com aval do Iphan de Santa Catarina.

De acordo com a Casan, 10% do material foi enterrado. “Esse é o primeiro trabalho registrado oficialmente no Brasil de enterramento de peças após curadoria”, diz o arqueólogo Almir do Carmo Bezerra, coordenador geral da curadoria. O enterro foi feito em solo semelhante do qual foi exumado para permitir a longevidade dos itens. Todo o material foi protegido com cerquit, que são telas que permitem contato com o solo e sinalizam-nas para facilitar futuros estudos.

Ainda conforme a concessionária, o relatório final do trabalho, produzido pela curadoria, forma um mosaico dos costumes de Laguna ao longo dos séculos, como dieta e vestimenta local, detalhando as variações de arquitetura, formas de trabalho, bem como a movimentação intensa de pessoas e cargas típica de uma cidade portuária e até a nacionalidade dos produtos importados em cada época.

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), na Vila Vitória, onde as peças foram enterradas, deve receber, em breve, placas contando os passos da obra de esgotamento sanitário básico, cuidados arqueológicos aplicados e a importância das peças recuperadas para a história e a cultura local.

Até anos 40, depósito de carvão era visível no Centro Histórico – na foto, é possível ver o antigo Mercado e a Igreja do Rosário (no topo da imagem). Foto: Acervo As Mil e Uma Histórias de Laguna

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