Novo protocolo do Estado para UTIs será debatido em Laguna

Quando foram criadas, as regras previam que fossem adotadas no Brasil em caso de colapso no sistema de saúde, o que vem ocorrendo nos últimos três meses. O protocolo tenta aliviar a pressão dos profissionais que atuam na linha de frente, retirando deles o peso moral e ético de escolher quem poderá ter tratamento avançado em atendimentos médicos.
Foto: Elvis Palma/Agora Laguna
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Hospitais de Santa Catarina receberam uma deliberação para que adotem regras para alocar recursos em esgotamento. O texto foi emitido na última sexta-feira, 26, e visa estabelecer uma prioridade para a fila de espera por vagas de leito de terapia intensiva. O documento foi revelado pela colunista Dagmara Spautz, da NSC. Dados divulgados pelo governo, neste domingo, 28, mostram que só dez leitos de UTI estão vagos no estado.

Portal Agora Laguna consultou o Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, de Laguna, que confirmou o recebimento do protocolo e adiantou que uma reunião, marcada para segunda-feira, 29, deve definir sua adoção ou não na unidade. Para a instituição, “a situação está ficando muito crítica”. O documento tem a assinatura de entidades médicas como a as associações de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) e a de Medicina de Emergência (Abramede).

Quando foram criadas, as regras previam que fossem adotadas no Brasil em caso de colapso no sistema de saúde, o que vem ocorrendo nos últimos três meses. O protocolo tenta aliviar a pressão dos profissionais que atuam na linha de frente, retirando deles o peso moral e ético de escolher quem poderá ter tratamento avançado em atendimentos médicos.

Os pacientes seriam classificados por pontuação, conforme faixa etária e expectativa de vida. Os médicos terão autorização para não submeter pacientes a tratamentos prolongados de terapia intensiva, se não possuírem condições de recuperação. Dessa forma, os profissionais poderão deixar de tentar prolongar a vida do doente, se a morte não puder ser evitada. O documento, porém, adverte que a “eutanásia continua sendo vedada, independente de condições de escassez de recursos”.

O governo do Estado pretende que, com a adoção do protocolo de alocação de recursos, os critérios de ocupação de leitos sejam mais transparentes e impessoais. O documento diz ainda que as ambulâncias dos municípios ficariam reservadas para transporte de pacientes estáveis (92% de oximetria) e, se a pessoa estiver em situação mais grave, o atendimento passaria a ser com as ambulâncias do Samu, SC Interhospitalar e transporte aéreo.

As unidades de saúde não poderão ceder leitos SUS para pacientes particulares, gesto que só é permitido depois de ser feita busca por vagas na rede particular de Santa Catarina. O documento determina isso para que não ocorra prioridade de pacientes privados nos leitos públicos do estado.