Morre o radialista Manoel Martins aos 88 anos

Foto: TV Nosso Povo Imbituba
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Morreu na madrugada deste domingo, 14, o radialista Manoel de Oliveira Martins, aos 88 anos, em decorrência de complicações de um enfisema pulmonar. Um dos mais antigos profissionais do rádio ainda em atividade, com 65 anos de carreira, nasceu em Pescaria Brava (quando ainda era distrito de Laguna), no ano de 1932, mas foi na cidade de Imbituba que se tornou mais conhecido.

Era filho de Ascendino de Oliveira Martins, funcionário da Companhia Próspera e músico-fundador da Banda Musical Cruzeiro do Sul, foi logo cedo morar em Criciúma. Chegou a ser seminarista, mas não levou o desejo de ser padre adiante.

Martins iniciou sua trajetória no microfone em 1956, na Rádio Difusora de Laguna, apresentando um programa chamado Alma portenha. Ficou por pouco tempo, cerca de oito meses, quando aceitou um convite de um ex-professor do seminário e foi para a Rádio Cruz de Malta, de Lauro Müller, integrando a equipe da emissora até 1957.

Neste ano, foi convidado a fazer parte de um novo prefixo que nascia em Imbituba (na época, o município ainda pertencia à Laguna) e passou a fazer parte da Rádio Difusora de Imbituba, inaugurada em 1º de outubro de 1957, com um show de jazz apresentado por Manoel Martins e não deixou mais a emissora.

Sempre contava que a transmissão da sessão da Assembleia Legislativa (Alesc) que criou o município de Henrique Lage, em 1958, vindo a se tornar Imbituba anos depois, foi a cobertura que mais lhe marcou. Para transmitir a declaração de emancipação contou com a ajuda do deputado Elias Adaime (PTB), proprietário da extinta Rádio Jurerê, de Florianópolis, que existiu por três anos.

Assim como muitos outros pioneiros do rádio, Martins soube ousar. Escreveu radionovelas, transmitiu futebol, e até um peça de teatro inventou de transmitir no rádio. Por quase 20 anos, a Difusora imbitubense irradiou a encenação radiofônica do Nascimento, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição do Nosso Senhor Jesus Cristo, título que ele deu ao ato, transmitido em rede com a extinta Rádio JK (depois Super Santa e atual Nativa) e a Rádio Tubá (já administrada pela Diocese de Tubarão).

“Dono de uma mente privilegiada, Manoel Martins era o dono do improviso. Trabalhou na Difusora mais de 60 anos, desses, trabalho 40 anos ao seu lado e posso testemunhar a sua versatilidade. O livro ‘Imbituba’, de sua autoria, tem ajudado muito os estudantes do ensino fundamental e médio. Fica um legado e uma grande lacuna no rádio de Santa Catarina e na imprensa de Imbituba”, disse o jornalista Gervazio Plácido, da Difusora, e colega de Martins. A prefeitura municipal também emitiu nota de pesar pelo seu falecimento.

Também foi um homem da imprensa escrita, produzindo colunas sobre os fatos de Imbituba para jornais como O Estado (Florianópolis) e Correio do Povo (Porto Alegre). Foi proprietário da Folha de Imbituba e escreveu o livro Imbituba: história e desenvolvimento, com relatos históricos do município portuário.

Manoel Martins atuou como assessor da extinta Indústria Carboquímica Catarinense (ICC) e foi vereador e presidente da Câmara dos Vereadores de Imbituba – o espaço usado pela imprensa na sede do Legislativo leva seu nome desde 2014.

Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, continuava participando – de casa – da programação da Rádio Difusora de Imbituba. A emissora tem utilizado seus programas neste domingo como uma forma de homenagem ao radialista.

“Um homem que estará nos pensamentos de cada imbitubense, ele fez a história do município acontecer. Suas lições para minha pessoa e minha família já eram eternizadas. Sempre fazíamos dupla em seus programas. Assim era Manoel de Oliveira Martins, o nosso Maneca. Ele chegou a criar um quadro em seu programa, ‘Paraíba em sua casa’, era incrível entrar no programa, eu não sabia a força que aquele momento no rádio era tão gigante”, relatou o jornalista Fernando Carvalho, hoje na Difusora de Laguna, mas que trabalhou vários anos em Imbituba.

Completaria 89 anos em 11 de maio. O velório começou a ser realizado por volta das 8h na Capela do Mazinho e o sepultamento está marcado para as 14h, no Cemitério de Vila Nova. Deixa a esposa Ana Clara, filhos, netos e bisnetos.