Caso Diego Scott: PMs são afastados das funções

Foto: Elvis Palma/Agora Laguna
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Os dois policiais que atenderam à ocorrência na casa de Diego Bastos Scott, 39 anos, há três semanas, estão afastados das funções na corporação. A medida foi adotada para evitar prejuízos à sindicância aberta pela Polícia Militar para apurar a ação policial do dia 15 de janeiro. Naquela tarde, a guarnição foi acionada para apartar uma discussão familiar entre Diego e o pai, mas após isso, o homem não foi mais visto.

Diego foi colocado dentro da viatura e deixado, segundo depoimento divulgado ontem pelo Portal Agora Laguna, no loteamento Laguna Internacional. Porém, inicialmente, constava no boletim de ocorrência que ele não estava no local. Esse ponto deixou a família cercada de dúvidas e incertezas sobre o que teria ocorrido com o homem após ter sido algemado e posto no compartimento do carro, conhecido como “gaiola/caixa”.

O major Josias Machado, subcomandante do 28º Batalhão de Polícia Militar (BPM) confirma que os dois foram afastados. Inicialmente, os agentes haviam passado por remanejamento de escala e, ao invés de cumprirem funções nas ruas, estavam fazendo serviços de rotina administrativa no quartel da corporação.

Essa medida foi solicitada pela Divisão de Investigação Criminal (DIC), da Polícia Civil. “Houve representação policial formulada pela DIC pra suspender o exercício da função e proibição de se ausentar da comarca, cuja decisão foi deferida no dia 29 de janeiro e cumprida dia 2, terça feira, quando foram interrogados pela Polícia Civil”, informa o delegado Bruno Fernandes, titular das investigações.

“Em princípio, ambos estão afastados de qualquer serviço policial militar e estamos aguardando, efetivamente, o final das investigações para verificar qual vai ser a opção com relação à lotação dos policiais militares”, acrescenta o subcomandante.

Um dos policiais cumpre afastamento há mais tempo, por recomendação médica, segundo o oficial. Já o outro voltou para sua cidade de origem, uma vez que estava atuando pela PM de Laguna apenas para reforçar o efetivo da corporação durante a Operação Veraneio.

O Portal também ouviu o advogado Luís Fernando Nandi Vicente, responsável por cuidar da defesa dos policiais, desde o segundo depoimento dado na corregedoria interna do 28º BPM. O defensor também confirma o afastamento dos agentes.

“Foi uma maneira de evitar qualquer discussão ou colocação de que pudessem estar atrapalhando. Pelo contrário, os policiais sempre que foram chamados, se mostraram solícitos; quando foram chamados compareceram, prestaram os esclarecimentos necessários e em qualquer diligência solicitadas, eles também estiveram presentes. Os policiais militares estão fazendo o máximo que podem para que a gente possa solucionar essa situação o mais breve possível”, afirma o advogado.

Ainda de acordo com Vicente, os policiais em momento algum invocaram o direito de ficarem calados durante as ações de investigação. O defensor também reforça que há relatos de pessoas que viram Diego com vida nos dias seguintes à ocorrência policial.

A PM apura o caso através de um Inquérito Policial Militar (IPM). Essa sindicância interna pode ter seu resultado conhecido nas próximas semanas, quando esgota o prazo de 40 dias para sua conclusão. O relatório será encaminhado ao Ministério Público Militar e, após este analisar, pode requerer ações penais contra os policiais junto à Justiça Militar, tribunal de julgamento exclusivamente dedicado às forças de segurança nacional e estadual.

Em relação às possíveis punições, o advogado conclui: “É claro que é uma angústia qualquer investigação. [Mas] Em relação ao procedimento, estão tranquilos. O que eles querem é que se resolva essa situação o mais breve possível, até pela dimensão e repercussão. Mas em relação aos procedimentos estão realmente tranquilos porque sabem o que fizeram naquele dia, sabem que não teve nada de agressão, nada de lesão [ao Diego], como algumas pessoas vieram mencionar”.

Ouça as entrevistas


Entenda o caso

No dia 15, Diego se envolveu em uma discussão familiar e a Polícia Militar (PM) foi chamada para apartar a situação. A versão oficial, que constava no boletim de ocorrência, é que o rapaz não estava no local, mas uma câmera gravou o momento em que os policiais o colocam na viatura, e isso foi usado pela família para contrapor o relato.

A partir daí, o morador do bairro Progresso não foi mais visto e a família começou a procurá-lo. Assim que o caso foi registrado na Polícia Civil, a DIC abriu inquérito para investigar o desaparecimento de Scott.

O caso também é investigado, internamente, pela PM, que apura as circunstâncias do atendimento à ocorrência. Familiares e amigos têm feito buscas por conta própria todos os dias.

Mais cedo, neste sábado, 6, voltaram à piscina desativada em um antigo camping na Praia do Gi, para mais buscas, mas nada acharam. No começo desta semana, uma informação anônima os levou para lá, na esperança de achar Diego.

Os telefones usados pelo Disque Denúncia são o 181, da Polícia Civil, e o (48) 9 9118-3684, da DIC. Em todos os números, a garantia do anonimato é assegurada.

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