Periquito dos gramados, Barriga Verde completaria 90 anos hoje

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Lembrado até hoje como uma das principais forças de futebol já vistas na cidade de Laguna, o Barriga Verde Futebol Clube completaria nesta sexta-feira, 4, seu 90º ano de atividade. O clube chegou a participar de três edições do Catarinense e foi o primeiro time oficial da carreira do lagunense Mengálvio, campeão mundial em 1962 no Chile e da Libertadores com o Santos, de Pelé e companhia.

Noventa anos atrás, quando a equipe surgiu, Laguna ainda era uma potência comercial na região Sul do estado. A Ferrovia Tereza Cristina pertencia à Companhia Carbonífera de Araranguá e passava no Centro Histórico. O telefone havia chego há alguns anos e a energia elétrica já era realidade. O Mercado Público ainda era o inaugurado em 1897 e que pegaria fogo em 1939.

O futebol ou o football, como a imprensa lagunense da época denominava, já estava na cidade desde o começo do século. Um artigo publicado por Agenor Bessa em 1980, conta que nos idos de 1909 já existiam clubes de futebol na cidade praticando com “bolas de borracha”, depois substituídas por uma “bola pneumática”, vinda do Rio de Janeiro. Estes eram: American e o Atheneu, este formado por alunos do colégio de mesmo nome, que passou a oferecer aulas sobre o esporte em 1915. Os primeiros campos ficavam no Magalhães.

Quase todos esses clubes começaram com jovens, amigos que se juntavam para disputar contra outros amigos, por pura diversão. Foi desta forma que naquele dia 4 de dezembro de 1930  que surgiu o Barriga Verde Futebol Clube. Manoel dos Santos Bessa, João Rosa, João Ribeiro dos Santos, Athayde Rodrigues, Altamir Heleodoro de Souza, Pedro Fernandes e Jaime Paz criaram a equipe.

Foto: Arquivo pessoal/Dalmo Faísca.

A sugestão de usar o nome Barriga Verde veio de Manoel Bessa. E há uma razão histórica e cultural para isso: os catarinenses são conhecidos como “barriga verde”. A versão mais comum na historiografia aponta que soldados catarinenses do século XVIII usavam sobre o uniforme um cinturão verde, o que gerou o apelido, incorporado no dia a dia para se referir aos nascidos em Santa Catarina.

“Esta nova sociedade esportiva, que tem em seu seio ótimos elementos do atraente jogo bretão, tem nesse curto tempo, conquistado nos seus diversos encontros com os colegas daqui e de outras localidades do interior, vários triunfos que muito lhe tem servido de estímulo para novas conquistas”, reconheceu o jornal O Albor em uma pequena nota pelo primeiro ano do clube em 1931.

Os players – termo usado na imprensa da época para se referir aos jogadores – do Barriga Verde foram campeões lagunenses em 1931 e venceram uma copa chamada “Sulestado” em 1932, sem nenhuma derrota. Esse bom início, ajudou a compor a fama do time periquito, apelido recebido pela torcida, como reconheceu o fundador Manoel Bessa em um discurso na comemoração pelo 10º aniversário do clube.

“Estava Laguna certa de que a sua representação esportiva possuía tanta fibra e tanto ardor como a de outras terras tão conhecidas através da mocidade empolgada pelas lutas do atletismo”, teria dito Bessa, segundo transcrição do colunista Júlio Marcondes de Oliveira, em texto publicado n’O Albor. Oliveira foi, por coincidência, presidente do arquirrival Flamengo.

Jogadores em 1952. Foto: Arquivo Pessoal/Dalmo Faísca

Somente no aniversário de onze anos é que o clube ganharia um estádio. Até então, os jogos eram mandados nos campos existentes na cidade, como no estádio do Lamego. O ground (termo daquela época para se referir ao estádio) dos periquitos ficava localizado há algumas quadras do Lamego, à essa altura já administrado pelo rival.

O campo foi inaugurado por Nereu Ramos, então interventor federal (cargo semelhante ao de governador) de Santa Catarina. Ramos defendia uma política que valorizava os cuidados com a saúde da população e havia incentivos à prática esportiva, o que justifica a construção do estádio. O político emprestou seu nome à quadra futebolística.

“Hoje ali fica o ginásio de esportes Bertholdo Werner e a Udesc. Ali treinava e mandava seus jogos. O estádio tinha uma arquibancada de madeira, onde tinha o pavilhão Eduardo Silva, pois foi ele, empresário lagunense, que doou todo o material para a construção da arquibancada”, recorda João de Sousa Junior, ex-radialista. Sousa Junior também jogou futebol na cidade, mas foi mais ligado ao Flamengo – seu irmão, Nelson (falecido em setembro), mais conhecido como Dedinho, marcou época com a camisa rubro-negra.

Naquele tempo, até as bandas Carlos Gomes e União dos Artistas entravam em campo para animar a torcida antes do jogo e dar um clima mais festivo ao embate futebolístico que seria travado.

Estádios do Lamego/Flamengo (acima) e Barriga Verde (abaixo), anos 40. Foto: Bacha/Arquivo particular de Dalmo Faísca

Rivalidade com o Flamengo marcou época

Laguna até teve um Fluminense, mas o clássico na cidade era Barriga Verde com Flamengo. O rubro-negro local surgiu na década de 1940 e existiu por cerca de 20 anos até desaparecer da mesma forma que o periquito, como será visto adiante. O time nasceu aproveitando a estrutura do clube náutico Almirante Lamego, fundado em 1920, mas que não sobreviveu por muito tempo.

Os lameguistas usavam as cores verde e vermelho e começaram a se aventurar no futebol, assim como outras potências do futebol brasileiro atual – por exemplo: Vasco da Gama (RJ), Botafogo (RJ) e o próprio Flamengo carioca são originados de times de regatas. Essa migração para o esporte bretão ocorreu na totalidade em 1933, quando um incêndio consumiu o galpão onde os equipamentos usados nas regatas náuticas foram destruídas e  o time optou por erguer um estádio, ao invés de um novo depósito.

Do Lamego, o Flamengo também herdou a rivalidade com os periquitos. “Era difícil. O clássico era grande demais”, recorda o ex-goleiro Dalmo Mendes Faísca, de 89 anos, que jogou no Barriga Verde de 1948 a 1953. “Era uma guerra, não tinha brincadeira”, avalia Mengálvio Figueiró, cria do Palmeirinha, que foi para o Barriga Verde e depois brilhou no Santos.

Além do rubro-negro, o Barriga Verde também rivalizava com o Hercílio Luz e o Ferroviário, de Tubarão, e com o Imbituba. Grandes foram os jogos travados nas cidades vizinhas e em seu campo, infelizmente, nem sempre a vitória vinha para o time lagunense, que sofreu algumas derrotas marcantes. “Com o Hercílio era um jogo de muito respeito. Com o Henrique Lage [Imbituba] era difícil de jogar”, diz Faísca.

Esses clássicos foram até eternizados em álbuns de figurinhas ou cromos. Se hoje, é muito comum, na época era novidade e, alguns poucos exemplares, eternizaram para sempre algumas formações daquela época.

Comemoração de uma vitória por 1 a 0 contra o Flamengo. Newton Baião (de branco) e Biguá (jogador). Arquivo Pessoal/Marcelo Baião

No começo do futebol e até o início de sua profissionalização na década de 60, os times sobreviviam de amistoso. Por várias vezes, Avaí e Figueirense receberam os lagunenses em seus campos na capital para jogos, assim como os grandes de Florianópolis também jogaram na cidade juliana.

Em 1953, como comemoração do segundo centenário de fundação de Laguna – até aquele ano era celebrado o ano de 1753 como de fundação da cidade –, uma grande festa esportiva foi feita com a vinda do time do Grêmio Porto Alegrense para jogar com os clubes locais.

Os gaúchos, recém-campeões do Panamericano, no entanto, não tiveram dificuldades em vencer os lagunenses. Anotaram 11 gols contra apenas um da seleção mista formado por jogadores do periquito e do rubro-negro. O resultado só não foi maior, pois, os gremistas tiveram cinco gols anulados. Em Tubarão, jogando contra um combinado local, o Grêmio venceu por 3 a 1.

OUÇA: Dalmo Faísca lembra do Barriga Verde

Time participou três vezes do campeonato estadual

Embora nunca tenha sido profissional, ao menos não aos moldes que o futebol funciona hoje em dia, o Barriga Verde pôde participar por três vezes do Campeonato Catarinense. É importante explicar, que, em suas três primeiras décadas, o estadual era disputado de uma maneira diferente da atual. Os campeões das ligas locais se enfrentavam em grupos ou em mata-mata (jogo único) que possibilitava a classificação para a fase “oficial”.

O periquito lagunense participou em 1942, 1957 e 1959. Na primeira participação foi eliminado pelo Hercílio Luz por 4 a 1, o jogo da fase preliminar era mata-mata eliminatório. Em 1957 e 1959, o campeonato foi disputado em grupos regionais chamados “zonas”. A região Sul formou chave com times de Laguna, Tubarão e Imbituba.

Time que enfrentou o Próspera, de Criciúma. Arquivo Pessoal/Marcelo Baião

Na segunda participação foi eliminado na primeira fase com nenhuma vitória, dois empates e seis derrotas, incluindo uma goleada amarga de 5 a 0 para o Imbituba. Já na última vez em que participou da Zona Sul, em 59, teve uma vitória e cinco derrotas, incluindo uma nova goleada, esta de 7 a 1 para o Ferroviário.

“O clube disputou pouco, pois nas primeiras décadas, o campeão da liga é que disputava o estadual. Hercílio Luz e Ferroviário quase sempre eram os campeões e representavam a Liga Tubaronense, onde o Barriga Verde era filiado. Quando estava na Liga Lagunense alternava protagonismo com o Imbituba, outro forte concorrente”, relata pesquisador esportivo e autor de livros sobre o futebol catarinense Adalberto Klüser.

Irmãos Figueiró fizeram história

Dos jogadores que fizeram história nos times do Sul ou do país e que nasceram em Laguna, uma família pode ser considerada como celeiro de craques. Quatro Figueiró se destacaram: Antônio, Mengálvio, Luiz e Benenval.

Beneval foi um dos primeiros a se destacar. Começou no Barriga Verde, depois foi jogar em um time antigo de Curitiba, o Bretanha, onde teve seu primeiro contrato profissional, atuando depois pelo Avaí da capita, onde, graças ao bom desempenho integrou a Seleção Catarinense. “Defendeu o esquadrão do Avaí, sagrando-se campeão, e assombrou com grande classe, ganhando o posto de beck central, merecendo, assim, os aplausos e admiração sempre crescentes dos catarinenses”, elogiou O Estado, em nota sobre o aniversário de Beneval.

Chegou a despertar o interesse do Vasco da Gama, uma das potências do futebol carioca nos anos 40. Depois de uma nova passagem pelo periquito em 1955, encerrou a carreira no Grêmio Fronteira de Araranguá. O outro irmão, Antônio, jogava muito bem, mas segundo Mengálvio, “infelizmente machucou o joelho e não deu para construir a carreira”. Ouça entrevista abaixo.

Luiz Figueiró também começou a se destacar no Barriga Verde. “Luiz segundo nos foi dado saber, é considerado uma das maiores promessas do futebol catarinense, demonstrando grande adestramento e combatividade”, pontuou um jornalista do Estado de Florianópolis, prevendo o futuro.

Barriga Verde com os quatro irmãos Figueiró em campo. Arquivo/Adalberto Kluser.

Prestes a completar 20 anos, em 1954, foi levado pelo treinador Oswaldo Rolla para jogar no Grêmio Porto Alegrense (RS), onde ficou marcado junto à torcida pelo sobrenome. Dois anos depois da estreia, quando a Seleção Gaúcha representou o Brasil no México, ergueu a taça como campeão panamericano. Em 1961 foi emprestado ao Santos, jogou com o irmão Mengálvio, e em 1963 voltou para o Grêmio, encerrando a carreira dois anos depois por uma contusão.

Dos Figueiró, o mais novo era Mengálvio. Seguiu a linha dos irmãos e começou a jogar no periquito e logo começou a chamar a atenção de muitos olheiros. Ele participou da campanha de 1957, sem sucesso, da fase regional do catarinense. Na sequência, levado por um olheiro foi para o Aimoré (RS) e venceu o estadual gaúcho de 1959.

“Concretizou-se a transação entre o Barriga Verde e o Aimoré de São Leopoldo para a venda do passe do eficiente centro-médio Mengálvio, o mais jovem dos irmãos Figueiró. Enquanto ao clube coube a importância de dez mil cruzeiro, igual soma recebeu o craque que assim terá ocasião de se projetar no cenário esportivo do país”, anunciava O Albor.

Saudando a torcida após um Flamengo x Barriga Verde em 1952. Foto: Arquivo pessoal/Dalmo Faísca.

E a nota d’O Albor acertou em cheio. Do Aimoré, Mengálvio iria em 1960 para o Santos, formar equipe com o jovem Pelé (recém-campeão do mundo), Coutinho, Pepe, Zito, Gilmar e outros. A glória do lagunense foi no alvinegro praiano conquistando duas Copa Libertadores e dois Mundial de Clubes em 1962 e 1963, além de cinco títulos paulista e Taça Rio-São Paulo.

A agilidade e o desempenho demonstrado no Santos credenciaram Mengálvio para ser convocado a jogar com a seleção canarinho, fazendo parte do time que venceu a Copa do Mundo de 1962 e a Copa Roca de 1963. Meses atrás, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tornou Mengálvio embaixador do time. O lagunense encerrou a carreira no fim dos anos 60, no Millionarios, da Colômbia. Ao olhar para trás e lembrar do Barriga Verde, ele afirma: “Foi tudo”.

OUÇA: Mengálvio Figueiró fala do começo da carreira

Newton Baião: ‘Técnico espetacular’

O repórter de O Estado questionou aos craques da época Hélcio Bianchinni e Adão Pacheco, qual era o melhor técnico da atualidade. Em 1955, eles não titubearam na resposta e afirmaram ser Newton Prado Baião. Apesar de não ter sido um craque da bola, como afirmou a um jornal de Itajaí em 1980, ele soube aproveitar os ensinamentos aprendidos para treinar clubes de futebol.

Quando jovem integrou a equipe do Lamego e depois foi para o Flamengo, abandonando a carreira para fundar um time de juvenis denominado Palmeirinha. Pela equipe foi tricampeão citadino de aspirantes entre 1944 e 1946.

O Palmeirinha foi a escola de muitos jogadores que rumaram para o Barriga Verde, assim como Prado Baião, que foi para o periquito e o comandou por cerca de oito anos. “A paixão dele era o Barriga Verde. Ele era o técnico, sapateiro… era tudo, no futebol amador é assim”, afirma o sobrinho Carlos Augusto.

Pelo rádio: Dakir Polidoro narra e Newton Baião comenta Barriga Verde x Flamengo. Arquivo Pessoal/Marcelo Baião

Foi o técnico-olheiro que permitiu que Dalmo Faísca ingressasse no time: “Um dia eu estava assistindo o treino do Barriga Verde e o Baião pediu que eu fosse para o gol. Eu jogava no Corinthians e fui para o Barriga Verde e nunca mais saí”, relembra o ex-jogador ao Portal. “Ele era espetacular”, reconheceu.

Newton Baião é até hoje reconhecido como um grande técnico que Laguna teve. Foi comentarista da Rádio Difusora sendo um dos primeiros a explorar o esporte na emissora pioneira do Sul do estado. Aliás, o rádio foi uma das principais razões para que o futebol criasse corpo entre as massas da cidade, permitindo que os lagunenses de toda parte pudessem vibrar com os gols do periquito e outros clubes.

Funcionário do extinto Banco Indústria e Comércio (Inco), Prado Baião foi transferido em 1956 para Imbituba e ali treinou o Cerâmica e por algum tempo o Atlético. Dez anos depois foi para Itajaí e, dado sua proximidade com esporte bretão, foi convidado a colaborar com o Clube Náutico Marcílio Dias e comandou por algumas oportunidades o Almirante Barroso. “Toda a vez que um técnico era demitido e o Marcílio não tinha condições financeiras para contratar um substituto, lá ia eu trabalhar de graça”, recordou em 1980, confirmando o amor pelo futebol. No Marcílio, dados fornecidos à reportagem pelo pesquisador Gustavo Gomes indicam 78 jogos oficiais entre 1965 e 1973.

OUÇA: Radialistas recordam Barriga Verde

Títulos amadores

Poucos são os registros que existem sobre as conquistas do Barriga Verde que não evoluíram do amadorismo. O time foi várias vezes campeão da Liga Lagunense Amadora de Futebol (Lamal) e chegou a ser filiado também à Liga Tubaronense de Desportos (atual LTF), onde ergueu a taça do Torneio Início de 1961.

“A história do futebol lagunense é bem falha nesse sentido”, lamenta Klüser. Antes da fundação da Lamal, as competições disputadas na cidade eram organizadas por comissões, mas sem caráter oficial.

Por algumas vezes, o time também abriu mão de disputar alguns troféus: “Não será disputado o campeonato da Liga Lagunense. Isso porque o Barriga Verde fez entrega dos pontos ao Imbituba das duas partidas que tinha que disputar. Assim sendo, ficou o Imbituba com o título de campeão, sem jogar, ficando também o Barriga Verde classificado para os jogos finais do estadual – zona Sul”, relatou o tubaronense A Imprensa, em 1960.

Mengálvio e equipe do Barriga Verde numa festa após jogo. Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Baião

‘Muita saudade’

O Barriga Verde começou a desaparecer em 1973 com o interesse do governo estadual de construir um ginásio esportivo na cidade e o melhor terreno encontrado foi onde estava localizado o estádio Nereu Ramos. Cerca de dez anos antes, o mesmo havia ocorrido com o Flamengo, que sumiu após ter seu campo usado para a construção da escola Almirante Lamego.

Em 1975, o periquito já havia sido extinto, sem que a indenização prometida pelo cessão do campo ao governo fosse paga. Houve tentativas de recuperá-lo, mas o time até hoje nunca mais voltou ao gramado. A cidade veria surgir em 1982 o Laguna Esporte Clube, com um estádio sendo construído na Vila Vitória, mas, sem sucesso nos gramados, o time desapareceu nas décadas seguintes. Todavia, chegou a disputar a Copa SC e a Série B do Catarinense.

“É lamentável o desaparecimento do Almirante Lamego e do Barriga Verde, pois foram clubes que a Laguna deveria ter conservado”, já alertava Agenor Bessa em 1980. Para o radialista Batista Cruz, o clube merecia ter continuado. “O Barriga Verde deveria ser o estimulador para que Laguna tivesse um bom futebol”, analisa o ex-jogador aspirante.

Mas a expressão maior da falta que o Barriga Verde faz para o futebol Laguna é a lembrança de Dalmo Faísca dos tempos em que foi jogador: “Era um time diferente, todos gostavam. Tenho muita saudade, hoje [o futebol] não tem mais glória. A amizade era grande”, afirma.

Outros times

De acordo com as pesquisas realizadas por Klüser, o primeiro registro de uma sociedade esportiva como nome de Barriga Verde vem de Florianópolis e teria surgido por volta de 1911, com extinção em ano incerto. Alguns jogadores seriam incorporados ao time do Anita Garibaldi.

Em 1929, também na capital, surgiu outro Barriga Verde de vida curta. Dez anos depois, os membros da Força Pública (atual Polícia Militar) fundaram uma associação atlética em Florianópolis com esse nome, que viria a se fundir com o Clube dos Oficiais nos anos 80, resultando em uma nova agremiação com o nome de Barriga Verde.

Arquivo Pessoal/Marcelo Baião

Para esta reportagem, colaboraram com a pesquisa de dados históricos em jornais: Deise Cristina Durante da Silva e Márcia Ignácio (Arquivo Público de Tubarão), e Roger Friedrich e Cleonisse Schmitt (Biblioteca Pública de Santa Catarina), e Adalberto Klüser.

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