Glorinha, na comemoração dos seus 80 anos, em agosto. Foto cedida: @aliciamarquesq/arquivo

Considerada como a rainha do samba lagunense, Maria da Glória Barreto Pegorara, célebre intérprete dos enredos das agremiações carnavalescas da cidade juliana, morreu aos 80 anos, vítima das complicações causadas pelo novo coronavírus. Ela foi a 25ª moradora de Laguna a falecer em decorrência da Covid-19.

Glorinha, como ficou mais conhecida nas rodas de samba da cidade, era filha do pescador Braz da Silva Barreto e da funcionária pública Custódia Madalena, com linhagem açoriana. Nasceu em agosto de 1940, na comunidade da Ponta da Barra, mas logo cedo foi morar com a família na localidade de Ribeirão Grande. Já na adolescência, veio para o Campo de Fora, até se fixar no bairro Magalhães.

Nos anos 70, entrou para o funcionalismo público a partir do extinto Colégio Comercial Lagunense (CCL), ali, formaria com alguns outros colegas de trabalho um grupo musical, se apresentando em alguns eventos culturais. De voz marcante, não tardaria a entrar para o Carnaval.

Em uma entrevista ao Agora Laguna, durante o pré-Carnaval das escolas de samba de Laguna, Glorinha revelou que o convite para que ela começasse a puxar os enredos partiu de João Manoel Vicente, nos anos 70, na extinta Bem Amados.

“Eu tinha o Regional da Glorinha, cantei 30 anos na praia. Comecei com meu pai e dali foi gerando um regional, onde toquei até no palácio do Estado para o governador. Não tinha música na praia [Mar Grosso] nessa época e a gente foi começando. O João Vicente me convidou e disse assim: ‘Em Laguna uma mulher nunca puxou uma escola'”, recordou.

Depois, iria para Os Democratas, onde estreou com um samba que dizia ‘Na terra do já teve, nada tem’ – neste ano, a agremiação defendeu um samba inverso, falando que Laguna é a terra que tudo tem. Mas a grande fase de Glorinha no Carnaval das escolas de samba seria com outra escola, a Mocidade Independente, onde foi campeã em 2000 e por onde se aposentou há alguns anos. A escola chegou a fazer uma homenagem à ela, um ano atrás, concedendo o título de Rainha do Samba.

A Mocidade, como revelou Agora Laguna em julho, prepara um samba enredo para homenagear sua mais célebre intérprete. A composição e todos os caminhos para a sua apresentação vão gerar um documentário, produzido pelo neto Guilherme. “Vou usar a biografia dela para falar de vários temas que permeiam a história dela a vida artística, a social, correlacionando o samba, a Mocidade, as escolas e Laguna com ela. Vai ser uma oportunidade de reviver em documentário e celebrar em vida essa biografia que representa muito para a cultura de Laguna”, antecipou o neto Guilherme, ao Portal.

Glorinha foi casada com Sidney Pegorara e teve dois filhos: músico Sidney Junior, que seguiu os passos da mãe e também é intérprete, e a professora Denise, também apaixonada pelo samba. “Nessa família – eu, a Denise e meu filho – a gente gosta tanto de música, inclusive de samba, que até é exagero, mas faz muito bem. O médico disse que a melhor terapia é cantar e ouvir música”, frisou na mesma entrevista.

O enterro da rainha do samba vai acontecer na manhã deste sábado, 21, entre 9h e 10h, no Cemitério da Irmandade Santo Antônio do Anjos, no Centro Histórico de Laguna.

Foto: Arquivo Família Pegorara