Foto: Agora Laguna

Desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 24, a Polícia Civil cumpre mandados em endereços ligados a políticos de Laguna, incluindo prefeito e vereadores. A força tarefa é uma nova fase da Operação Seival, iniciada em novembro de 2017. As ordens foram expedidas pela Comarca de Laguna e pelo Tribunal de Justiça e são cumpridas também nas cidades de Florianópolis, Navegantes, Itajaí, Tubarão, Criciúma, Imbituba, Imaruí e Capivari de Baixo.

A Seival II apura vários delitos como fraude a licitação, corrupção ativa/passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato, envolvendo empresários, servidores públicos e agentes políticos dos Poderes Executivo e Legislativo municipais. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados até o momento pelos órgãos envolvidos na investigação.

As investigações também apuram a participação de novos integrantes do grupo que possuem estreita ligação com as pessoas inicialmente investigadas pela polícia e denunciadas pelo Ministério Público. A operação tenta identificar a notícia da existência de uma espécie de loteamento das secretarias municipais por meio de indicações políticas e recebimento de propina correspondente a parte dos valores das obras e serviços licitados nessas pastas.

Contratos firmados pela prefeitura de Laguna com empresários que há anos prestam serviço na cidade, com indicativos de superfaturamento e inexecução das obras e serviços licitados, bem como fraudes a licitação no Iprev em 2016, estão no radar da investigação.

Foto: Agora Laguna

Entre os locais visitados estão as residências do prefeito de Laguna, Mauro Candemil (MDB), e de alguns vereadores. Os policiais também foram nos gabinetes na prefeitura e na Câmara Municipal, e em estabelecimentos comerciais que já haviam sido alvo da primeira operação três anos atrás. Os trabalhos seguem em andamento.

Os policiais cumprem cinco mandados de prisão preventiva, quatro mandados de prisão temporária, dez medidas de proibição de acesso à Câmara de Vereadores de Laguna, duas medidas de afastamento da função pública, 120 mandados de busca e apreensão expedidos pela Comarca de Laguna, Vara de Crimes Organizados da Capital e Tribunal de Justiça de Santa Catarina e oito cautelares de sequestro de bens, entre eles uma embarcação pesqueira.

Estão envolvidos aproximadamente 160 policiais civis, militares e rodoviários federais de Santa Catarina, além de peritos criminais. Prestaram apoio aos trabalhos também a Diretoria Polícia da Grande Florianópolis/DPGF, DECOR Capital, DECOR Blumenau, DECOR Tubarão, DRP de Tubarão e as Divisões de Investigação Criminal (DIC) de Tubarão, Criciúma e Itajaí.

A operação

Os mandados foram expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina e da Vara Criminal da Comarca de Laguna, a partir de inquéritos policiais da Delegacia de Combate à Corrupção (Decor), Laboratório de Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), Delegacia de Lavagem de Dinheiro (DLAV), Delegacia de Crimes Ambientais (DRCA) e Delegacia Fazendária (DFAZ) e em cinco procedimentos de investigação criminal do Ministério Público de Santa Catarina, todos em instrução com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial Anticorrupção (Geac).

A Seival foi deflagrada em 21 de novembro de 2017, cumprindo 76 ordens judiciais, sendo sete prisões preventivas, seis prisões temporárias, 25 mandados de condução coercitiva e 38 mandados de busca e apreensão e, ao final, três ações penais. Um vereador, um secretário municipal e um chefe de gabinete foram detidos na época.