Foto: Carolina Benzemat/SCPar Porto de Imbituba

O primeiro sobrevoo de monitoramento para acompanhar as baleias-francas na região do litoral catarinense aconteceu entre os dias 17 e 18 e registrou 42 cetáceos, sendo 20 mães acompanhadas por filhotes e duas adultas sozinhas. A maior parte dessa concentração foi detectada em Laguna.

A viagem para acompanhar os cetáceos ocorreu em setembro, por este ser o ápice do período de reprodução da espécie. Só em Laguna, foram avistadas 24 baleias. Em Mostardas (RS), foram dez baleias; em Jaguaruna, seis; além de mais duas em Capão da Canoa (RS). Os pesquisadores ainda visualizaram grupos de toninhas, lobos e leões marinhos, e golfinhos nariz-de-garrafa.

Embora o número seja expressivo, dentro da área regularmente sobrevoada em anos anteriores, entre Florianópolis e Torres (RS), foram avistadas 30 baleias, sendo (15 mães acompanhadas de filhotes). O número é menor se comparado a 2019, quando foram registrados 52 cetáceos no mesmo trecho.

“O baixo número de baleias foi uma surpresa, pois este ano as baleias chegaram na região mais cedo, o que em geral é um indicativo de um número maior de baleias virem se reproduzir no litoral do Brasil. Além disso, estamos tendo um ano muito atípico em termos de distribuição das baleias, com ocorrência mais ao sul. E temos feito contato com os pesquisadores que atuam nas outras áreas de concentração de baleias-franca no Hemisfério Sul, que também estão registrando números menores que em 2019”, argumenta a diretora de Pesquisa, do Instituto Australis, Karina Groch.

O oceanógrafo Gilberto Ougo, da empresa Acquaplan, integrante da expedição, acrescenta que vários fatores podem influenciar no número de baleias em áreas reprodutivas. “A variação pode estar atrelada a fatores como a disponibilidade de alimento antes da migração e a reprodução desses animais na Argentina, que é uma área mais próxima às zonas de alimentação, localizadas na Antártica”.

Moniotramento

O monitoramento é executado há 12 anos e é promovido pela SCPar Porto de Imbituba e o Projeto Franca Austral (ProFranca), com suporte financeiro da estatal Petrobras. Neste ano, além do perímetro da região da APA da Baleia Franca (de Torres à Florianópolis), o percurso foi ampliado, compreendendo a região entre as cidades de Santa Vitória do Palmar (RS) e Penha (SC). O total foi de mil quilômetros percorridos na costa litorânea.

A equipe é formada por até dois observadores e um fotógrafo, faz o censo e o registro da localização das baleias-francas, além de fotografá-las. As imagens são utilizadas na identificação dos indivíduos adultos, o que se torna possível através de calosidades que cada animal possui sobre a cabeça, únicas para cada baleia-franca, como se fosse uma impressão digital.

O monitoramento também ocorre por via terrestre. Segundo a SCPar, por terra, a observação ocorre em pontos fixos nas enseadas das praias do Porto e da Ribanceira, entre os meses de julho e novembro, e é executado pela empresa Acquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental e o Instituto Australis.